Grécia

Terremoto deixa dois turistas mortos e 90 feridos na ilha grega de Kos

Abalo de magnitude 6,4 foi registrado no mar Egeu entre o litoral da Grécia e o da Turquia

Turistas ao lado de uma construção atingida pelo terremoto em Kos
Turistas ao lado de uma construção atingida pelo terremoto em KosCOSTAS BALTAS (REUTERS)

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Um terremoto de magnitude 6,4 na escala Richter registrado nesta sexta-feira (noite de quinta-feira no Brasil) no mar Egeu, entre o litoral da Grécia e o da Turquia, deixou pelo menos dois mortos e 90 feridos, além de importantes prejuízos materiais na ilha turística grega de Kos, informou o seu prefeito, Yorgos Kyritsis. Os mortos são um turista sueco de 27 anos e um outro, turco, de 39 anos, segundo a agência estatal grega de notícias ANA. No momento do terremoto, por volta da 1h30 (horário local, 19h30 da quinta-feira em Brasília), os dois estavam em um bar cujo telhado veio abaixo. Os principais prejuízos causados pelo sismo foram registrados no lado leste da ilha, onde milhares de moradores e turistas passaram a noite ao relento.

O epicentro do abalo se encontra a 10 quilômetros da cidade balneária turca de Bodrum e a cerca de 16 quilômetros da ilha de Kos, enquanto o hipocentro foi localizado a cerca de 10 quilômetros de profundidade, segundo o Instituto Geodinâmico de Atenas, que calculou sua magnitude em 6,4. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS na sigla em inglês), ele foi de 6,7.

Segundo a Defesa Civil, 90 pessoas foram atendidas em hospitais, sendo 75 delas liberadas rapidamente depois dos primeiros socorros. Das 15 pessoas restantes, ainda internadas com lesões, cinco foram ou serão transferidas para outros hospitais, fora da ilha. Três delas foram levadas para o hospital universitário de Heraclión, na ilha de Creta, e outras três, com problemas traumatológicos, serão levadas ainda nesta sexta-feira para Elefsina, perto de Atenas. Os cinco feridos graves são dois suecos – um está com hemorragia cerebral e o outro teve as pernas amputadas --; uma norueguesa com fratura da tíbia; e dois gregos, cujas lesões não foram informadas.

O sismo provocou danos em muitas casas e espalhou o pânico entre os habitantes, que deixaram suas residências com medo de novos abalos. Ele levou cerca de meio minuto, o que fez com que fosse sentido com muita intensidade, levando centenas de pessoas a passarem a noite fora de casa, nas ruas. Um terço do território da ilha ficou sem energia elétrica depois do tremor, que também chegou a ser sentido na ilha de Rodes.

A infraestrutura hoteleira resistiu bem, segundo a presidenta da associação de hotéis da ilha, Konstantina Svinu. “Não houve prejuízos significativos em nenhum hotel da ilha”, disse Svinu, acrescentando que “muito poucos dos 180.000 a 200.000 turistas que estão atualmente na ilha decidiram suspender as suas férias”.

A Defesa Civil ainda calcula os prejuízos. De acordo com as primeiras estimativas, eles são consideráveis no bairro mais antigo da cidade e menores no conjunto da ilha. O porto sofreu grandes danos, segundo afirmou à rede pública de televisão o vice-ministro da Marinha, Nektarios Santorini, que se deslocou com outros membros do Governo para a ilha. Santorini disse que, até o momento, o acesso de embarcações maiores ao porto está interrompido.

Duas grandes balsas, uma com 260 passageiros e a outra com cerca de 80, foram obrigadas a atracar em ilhas próximas. Segundo afirmou o ministro de Transporte e Infraestrutura, Jristos Spiritzis, à agência de notícias AMNA, a expectativa é de que até o meio do dia chegue à ilha uma equipe de especialistas para fazer uma avaliação dos prejuízos. Quanto ao aeroporto de Kos, que está funcionando, as autoridades ainda estudam a dimensão dos danos causados.

Na manhã desta sexta-feira, a situação em Kos estava mais calma e boa parte da ilha procura voltar à vida normal, relatam jornalistas locais, segundo os quais o trânsito funciona normalmente e as lojas estão abertas. Localizada no arquipélago de Dodecaneso, Kos é uma ilha turística e uma das cinco ilhas do mar Egeu mais afetadas pela crise dos refugiados. Com uma população em torno de 30.000 habitantes, abriga cerca de 3.000 refugiados em acampamentos, hotéis e apartamentos instalados pelo Governo com apoio do Acnur (ONU).

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O abalo sísmico também foi sentido em Mugla, no litoral turco do mar Egeu. A governadora da província, Esengul Civelek, confirmou à agência Anatólia que as primeiras informações indicam que o terremoto não deixou vítimas nem causou danos estruturais em território turco.

“Não houve danos estruturais, mas alguns moradores ficaram feridos por causa do pânico” gerado pelo tremor, disse Civelek, segundo a qual houve alguns “cortes de energia elétrica”, embora o serviço não tenha sido interrompido. Cerca de 80 pessoas precisaram de atendimento médico, mas suas lesões, todas leves, decorrem de saltos pela janela ou pelas varandas no momento do terremoto, segundo a NTV.

Segundo divulgou o jornal Hurriyet, o prefeito da localidade turca de Bodrum, Mehmet Kocadon, declarou que o terremoto “provocou uma sacudida muito violenta”. “Não temos más notícias até agora. Espero que elas não existam”, acrescentou. “O maior problema são os cortes de luz em algumas regiões [da cidade]”, disse ele ao canal NTV. O hospital de Bodrum teve de ser esvaziado depois que surgiram rachaduras em suas paredes.

A mesquita de Adliye, no centro da cidade, foi atingida e a polícia isolou preventivamente a área, segundo a agência de notícias turca Anadolu. O terremoto também foi sentido na península de Datca – também importante ponto turístico --, assim como em Esmirna, a terceira cidade da Turquia, no litoral do mar Egeu.

O Centro Sismológico Europeu do Mediterrâneo, que estima em 65.000 o total de pessoas que sentiram o abalo, detectou mais de dez réplicas, com magnitudes entre 3,7 e 5,1, e “um maremoto visível claramente com uma magnitude de cerca de 25 centímetros”. “Confirmado um pequeno maremoto. Evitem as praias da região. Nas áreas mais elevadas há segurança”, acrescentou a instituição no Twitter.

O observatório sismográfico de Kandilli confirmou que foi registrada uma onda com cerca de meio metro no litoral de Bodrum, mas que não se preveem mais movimentações marítimas, segundo o jornal Hurriyet. Algumas embarcações menores foram afetadas ou ficaram parcialmente afundadas por causa desse pequeno tsunami no porto de Bodrum. Segundo o jornal, cerca de 60 veículos foram arrastados pela onda, que, em algumas áreas, avançou em até cerca de 100 metros terra adentro. Depois do primeiro sismo, foram registradas cerca de 150 réplicas, das quais 16 tiveram magnitudes superiores a 4,0, segundo os dados publicados no site do observatório de Kandilli.

A Turquia e a Grécia estão localizadas em uma falha geológica, razão pela qual sofreram vários sismos nos últimos anos. Desde o início deste ano, o litoral turco do Egeu tem sido atingido por fortes terremotos. No último dia 12 de junho, um sismo de 6,1 graus na escala Richter deixou uma mulher morta e 12 feridos na ilha grega de Lesbos. O acidente mais grave ocorreu em 17 de agosto de 1999, quando um terremoto de mais de 7,0 na escala Richter perto de Esmirna atingiu várias regiões do noroeste do país, deixando mais de 17.000 mortos.

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