200 quilos de gordura, uma questão de Estado no Egito

Médicos da mulher mais obesa do mundo dizem ter reduzido seu peso em 250 quilos, mas a irmã nega

Eman Ahmed, na cama, junto a sua irmã Shaimaa, em 11 de fevereiro, no hospital.
Eman Ahmed, na cama, junto a sua irmã Shaimaa, em 11 de fevereiro, no hospital.GETTY

A história de Abdelaty foi parar nas páginas da imprensa internacional há alguns meses, quando se soube que a mulher, de 37 anos, e que vive há cerca de duas décadas prostrada numa cama na cidade de Alexandria, visitaria um hospital de Mumbai (Índia) para receber um tratamento intensivo. Seu peso, próximo de meia tonelada, ameaçava matá-la por causa do diabetes, da pressão arterial ou por uma parada cardíaca, e por isso seria submetida a várias operações. Tendo sofrido vários enfartos, seu estado era tão delicado que precisou ser transladada em um avião especialmente preparado.

Na semana passada, o hospital Saifee, de Mumbai, divulgou um vídeo no qual Abdelaty aparecia sentada num sofá, escutando música. "Parece uma versão mais feliz e magra de si mesma. Finalmente já consegue se sentar numa cadeira de rodas por um período prolongado, algo com que nem sonhávamos três meses atrás", declarou em um comunicado a junta médica que, primeiro, a submeteu a uma rigorosa dieta, e em seguida realizou diversas cirurgias bariátricas. Abdelaty, que quando menina foi diagnosticada com elefantíase – uma enfermidade que provoca um crescimento anormal do corpo –, tinha perdido nada menos que 250 quilos em dois meses.

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Porém, Shaimaa Selim, irmã da paciente, publicou recentemente um vídeo na sua página do Facebook em que chamava os médicos de "mentirosos" e afirmava que eles só haviam reduzido o peso de Abdelaty em 50 quilos. Os comunicados do hospital seriam, segundo Shaimaa, um simples truque publicitário. Os meios de comunicação egípcios repercutiram a denúncia, e a Comissão de Saúde do Parlamento solicitou ao Ministério de Relações Exteriores que acompanhe o caso de perto e lhe mantenha informada. De acordo com o jornal Al Ahram, o cônsul do Egito em Mumbai se reuniu com os médicos, que negaram veementemente as acusações de Selim.

"Hoje Eman pesa 171 quilos... As fotos não mentem, não podem mentir", defendeu-se Muffazal Lakdawala, o médico responsável pelo tratamento de Abdelaty, em declarações à agência AFP. O médico também usou sua conta no Twitter para atacar a irmã da sua célebre paciente. Segundo ele, as ações da mulher se devem aos seus problemas financeiros e sua incapacidade de cuidar da irmã quando ela receber alta. "Shaimaa Selim, você matou a humanidade de um golpe. Que Deus a ajude quando você perceber o que fez", dizia o médico numa mensagem, em que prometia "continuar tratando e rezando por Eman ". O caso já levou à criação da hashtag #SaveEman ("salve Eman", em inglês).