Serviços de inteligência dos EUA acusam Putin de tentar ajudar Trump em eleição

Presidente eleito admite pela primeira vez a possibilidade de ciberataques, mas nega que eles tenham influenciado as eleições, e denuncia “caça às bruxas”

“Consideramos que Putin e o Governo russo tentaram ajudar na eleição do presidente eleito Donald Trump, descreditando a Secretária [Hillary] Clinton e colocando-a de forma negativa em comparação a ele”, afirmam a CIA, o FBI e a Agência de Segurança Nacional no relatório. Além disso, as agências acrescentam que, quando Moscou percebeu que Clinton tinha mais chances de vitória, “a campanha centrou-se mais em depreciar seu futuro governo”.

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“Os objetivos da Rússia eram atingir a opinião pública a respeito do processo democrático dos EUA”, conclui o relatório, assim como havia sido adiantado pelos responsáveis das agências na quinta-feira, no Congresso. As agências também argumentam que a Rússia tem um “histórico” de campanhas ocultas na tentativa de influenciar as eleições americanas.

A polêmica surge a duas semanas da posse de Trump como governante do país, no próximo dia 20 de janeiro. O empresário nova-iorquino recebeu o documento completo, em primeira-mão, pouco antes da divulgação oficial, durante reunião com os responsáveis de Inteligência, a quem estava criticando até então a respeito desta investigação. Depois do encontro, o magnata continuo negando que a espionagem atribuída ao Kremlin havia sido decisiva para sua vitória, embora tenha admitido que a Rússia pode ter realizado os ciberataques.

“Embora a Rússia, a China e outros países, grupos e pessoas externas estejam tentando entrar na ciberestrutura de nossas instituições governamentais, em nossos negócios e organizações, incluindo o Comitê Nacional Democrata, isso não teve qualquer efeito no resultado das eleições, inclusive porque não houve qualquer alteração nas máquinas de votação”, destacou o presidente eleito.

Os maiores vazamentos da campanha presidencial aconteceram no meio do ano passado, quando foram divulgados e-mails de membros do Partido Democrata que demonstravam sua atuação para favorecer a vitória de Hillary Clinton sobre seu rival nas primárias, o esquerdista Bernie Sanders. O escândalo custou o emprego da presidenta do Comitê Democrata, Debbie Wasserman Schultz. Meses depois, o Wikileaks também publicou uma série de e-mails do chefe da campanha de Clinton, John Podesta, que mostravam contradições da campanha democrata.

As 17 agências envolvidas na investigação confirmaram o envolvimento russo sem dúvidas, mas o presidente eleito acredita que há uma politização destes órgãos. Para Trump, a investigação é uma reação à perda das eleições por parte de Hillary, embora as agências estadunidenses já destacavam o envolvimento de Moscou desde outubro, um mês antes do pleito. Na entrevista ao Times, Trump também falou sobre o roubo de dados pessoais de funcionários por parte da China, em 2015, e denunciou que este caso não tem merecido o mesmo tratamento. “Há pouco tempo, a China hackeou 20 milhões de nomes do Governo. Como ninguém fala nisso? É uma caças às bruxas política”, enfatizou.

O presidente eleito também falou sobre algumas das notícias desta semana, que diziam que o Comitê Democrata negou ao FBI o acesso a seus servidores depois do ataque. “Como eles têm certeza do ataque se nem tiveram acesso aos servidores?”, criticou.

O caso de espionagem durante as eleições levou o presidente Obama a impor pesadas sanções sobre a Rússia. As medidas colocarão Trump em uma situação complicada se ele insistir em duvidar da autoria russa. Na quinta-feira, no Congresso, o diretor da Inteligência Nacional, James Clapper, foi incisivo: “Apenas os governantes do mais alto escalão russo poderiam ter autorizado os recentes roubos e vazamentos de dados relacionados às eleições, devido ao alcance e à sensibilidade dos alvos”.

O caso também faz o presidente eleito bater de frente com muitos republicados, que acreditam no envolvimento de Moscou e enxergam com surpresa a simpatia de Trump por Putin.

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