Trump tem primeiro embate com seu partido a dias de assumir presidência

Medida foi votada na Câmara dos Representantes sem informar o presidente eleito, que toma posse em 20 de janeiro

O republicano Paul Ryan, presidente da Câmara dos Representantes, em 8 de dezembro.
O republicano Paul Ryan, presidente da Câmara dos Representantes, em 8 de dezembro.Cliff Owen (AP)

Nas eleições de novembro nos Estados Unidos, não apenas Donald Trump ganhou a Presidência. O Partido Republicano também alcançou uma sólida maioria nas duas câmaras do Capitólio, que já deram mostras de seu poder. Ontem, as bases desse partido na Câmara dos Representantes aprovaram de maneira imprevista, e sem consultar os líderes de seu grupo parlamentar, uma emenda que deixa sem atributos nem validez o Escritório de Ética do Congresso, órgão independente encarregado de investigar os legisladores.

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A medida provocou uma batalha com o presidente eleito, Donald Trump, que a qualificou de “injusta”. Trump lamenta que seu partido não tenha se concentrado em outras prioridades, como a reforma fiscal e a saúde. A mudança não contava tampouco com o apoio do líder da Câmara, o republicano Paul Ryan, mas ainda assim foi aprovada. Entrará num pacote mais amplo de medidas legislativas que será votado nesta terça-feira, com o início formal da nova legislatura.

O Partido Democrata criou o Escritório de Ética em 2008, depois de uma série de escândalos de corrupção pelo qual três deputados acabaram presos. O organismo trabalhava com uma equipe própria de investigadores que, a partir de denúncias de cidadãos ou reportagens da imprensa, podia buscar documentos e realizar entrevistas confidenciais, divulgado publicamente seus resultados.

A principal queixa dos republicanos que agora aniquilam o escritório é que era muito intrusivo. Passará a se chamar Escritório de Revisão de Queixas e não poderá receber denúncias anônimas.

A democrata Nancy Pelosi foi quem instituiu o Escritório, atenta às queixas, porque os legisladores não vigiavam a si mesmos. Agora, como líder da oposição, ela acusou os republicanos de eliminar o único órgão independente responsável pela supervisão de suas ações. “Evidentemente, a ética é a primeira vítima do novo Congresso republicano”, disse Pelosi em nota.

O promotor da iniciativa, Robert W. Goodlatte, presidente do Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes, defendeu a medida argumentando que as modificações não prejudicarão o trabalho do Escritório. “Também melhora os direitos ao devido processo das pessoas que são objeto de investigação, assim como das testemunhas intimadas a depor”, disse.

Nesta terça tem início a nova legislatura, após as eleições de novembro passado. Os republicanos terão o controle tanto do Senado como da Câmara dos Representantes e se preparam para revogar algumas das reformas feitas por Barack Obama no campo da saúde e das normas ambientais, inserindo-as numa agenda mais conservadora.