Crítica | Animais fantásticos e onde habitam
Crítica
Género de opinião que descreve, elogia ou censura, totalmente ou em parte, uma obra cultural ou de entretenimento. Deve sempre ser escrita por um expert na matéria

Magizoologia aplicada

Filme é, ao mesmo tempo, prequela e ‘spin-off’ da saga original sugerida pelo livro homônimo, no qual a escritora imaginou seus próprios animais

Dan Fogler, Eddie Redmayne e Katherine Waterston, em 'Animais fantásticos e Onde Habitam'.
Dan Fogler, Eddie Redmayne e Katherine Waterston, em 'Animais fantásticos e Onde Habitam'.
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O fato de que pelo menos dois dos livros utilizados no Colégio Hogwarts de Magia existem nas livrarias é um bom indício da obsessiva implicação de J.K. Rowling na construção de seu rico e complexo universo imaginário. E também do potencial desse universo para se expandir abrindo notas firmes e fortes no formato de novos labirintos. Se toda poção mágica parte da perfeita mistura de materiais heterogêneos, a saga Harry Potter definiu seu poder de feitiço coletivo na harmonia entre o velho (a tradição britânica de literatura juvenil, os jogos de palavras de Lewis Carroll, o humor pitoresco) e o novo (uma arquitetura narrativa em diálogo em pé de igualdade com as possibilidades da nova cultura lúdica da área e dos videogames). Animais Fantásticos e Onde Habitam de David Yates é, ao mesmo tempo, prequela e spin-off da saga original sugerida pelo livro homônimo, no qual a escritora imagina seus próprios Jabberwockies, Snarks e Boojums para sistematizá-los em um tratado imaginário de magizoologia.

A partir de um roteiro original da autora, o filme, ambientado na Nova York de meados dos anos 20, propõe uma leitura da América como território onde a explosão industrial emite uma pulsação com uma essência mágica condenada à segregação e assediada por uma caça às bruxas moral. Não falta uma breve, insuficiente pincelada à perigosa confusão de poder político e império midiático: uma antecipação da era Trump que não possui verdadeira intencionalidade ideológica.

Como o recente e muito subestimado O Bom Gigante Amigo (2016) de Steven Spielberg, Animais Fantásticos e Onde Habitam coloca o último modelo de assombro digital a serviço da recuperação de um saudoso cinema infantil (as fantasias de imagem real marca Disney), que acreditava na consistência de seus improváveis universos. O filme só perde de vista esse norte em um clímax final – muito parecido a um combate de super-heróis –, que passa da fina filigrana digital a um caos traçado um tanto grosseiramente, mas até aí o encanto é poderoso.

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