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Argentina tem seis homicídios por violência machista em menos de 48 horas

Os dois supostos criminosos haviam sido denunciados anteriormente pelas vítimas

Milhares de pessoas participaram da passeata da “Quarta-feira negra”, há duas semanas, em Buenos Aires.
Milhares de pessoas participaram da passeata da “Quarta-feira negra”, há duas semanas, em Buenos Aires. EFE

Dois assassinatos múltiplos de mulheres foram registrados na mesma província da Argentina em menos de 48 horas, chamando mais uma vez a atenção para a ausência de medidas de proteção às vítimas. Duas delas foram mortas a tiros na noite do sábado na cidade de Paraná, capital da província de Entre Ríos, no leste do país. Ambas tinham sido companheiras do suboficial da Prefeitura Orlando Ojeda, que está preso. O segundo crime foi cometido na madrugada desta segunda-feira. Segundo a hipótese levantada pela polícia, Juan Pablo Ledesma teria entrado à força na casa de sua ex-companheira, Johanna Carranza, matando-a a facadas e fazendo o mesmo com suas filhas – de cinco e sete anos de idade – e com o atual companheiro de Carranza. A polícia acredita que, depois de cometer os crimes, Ledesma tentou se matar usando a mesma arma.

“Perto das três horas da manhã, agentes policiais entram na casa com um mandado da Justiça e encontram os corpos sem vida de Johanna, das duas filhas e do atual companheiro dela”, descreve Luis Aguiar, subchefe da Polícia da localidade de Concepción del Uruguay, na mesma província. “O suposto agressor foi encontrado com vida e levado ao hospital. Está sob custódia policial, em estado grave”, acrescentou. Carranza havia denunciado Ledesma por violência há alguns meses e obtivera uma ordem de restrição judicial, mas Ledesma a descumpriu sem conhecimento da polícia. Os agentes chegaram à casa depois de receber um telefonema de um vizinho, cuja atenção fora atraída pelos gritos que vinham da casa ao lado da sua.

Ojeda também tinha sido denunciado anteriormente, por agir com violência, por Lidia Milessi, sua companheira até um ano atrás e com quem teve três filhas. Ao ser detido, o prefeito entregou a arma regulamentar com a qual cometeu, supostamente, os crimes. Os investigadores suspeitam que Ojeda esteve inicialmente na casa de Ibarra, perseguiu-a até o banheiro e a matou. Ao deixar o local, atirou nas costas de um vizinho que tentara socorrê-la e que se encontra hospitalizado em estado grave. Em seguida, dirigiu-se à casa de Milessi e a matou com vários tiros na presença de pelo menos duas de suas filhas.

“Enorme violência contra as mulheres”

A ministra da Segurança, Patricia Bullrich, classificou de “muito grave” a situação de “enorme violência contra as mulheres” que se vive hoje no país e anunciou que serão reforçadas as medidas de prevenção em relação às vítimas. “O Ministério da Justiça está realizando licitações para aquisição de equipamentos que terão duas pontas, ou seja, a vítima terá um telefone e o agressor uma pulseira que, quando ele estiver a uma determinada distância, emitirá um alarme para o 911 (número da polícia), afirmou Bullrich à rádio La Red.

A ministra pediu às mulheres quer “à primeira agressão já façam a denúncia, que não esperem, porque essa primeira violência é a que pode caracterizar a denúncia”. No entanto, de acordo com o mais recente Registro Nacional de Feminicídios, pelo menos 20% das 235 mulheres assassinadas no ano passado haviam apresentado uma denúncia contra seus agressores. O relatório oficial informa que em 27% dos casos de assassinatos de mulheres não havia nenhuma denúncia prévia, enquanto em 53% não foi possível verificar esse dado.

Bullriche também fez críticas à atuação da Justiça, avaliando que “há muitos juízes que atuam de maneira muito frouxa” quando se trata de causas relacionadas à violência machista, e defendeu que haja uma mudança de ordem educacional para conter esse tipo de crime.

Nos últimos dois anos, a Argentina foi palco de manifestações maciças contra a violência machista, sob o lema “Ni Una Menos” [Nem uma a menos]. Mesmo assim, a prática desse tipo de crime continua aumentando. Segundo o Registro Nacional de Feminicídios, que é realizado pela Corte Suprema de Justiça, em 2014 foram registrados 225 assassinatos de mulheres no país; em 2015, foram 235. Neste ano de 2016, segundo os meios de comunicação, já ocorreram mais de 200 assassinatos.

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