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Obituario

Morre ex-presidente uruguaio Jorge Batlle

Ex-mandatário estava internado em estado grave desde domingo devido a um traumatismo craniano após sofrer uma queda

Jorge Batlle
Jorge Batlle, ex-presidente do Uruguai, em 2003. EFE

Jorge Batlle, último presidente do Uruguai membro do Partido Colorado, uma das figuras mais originais da política latino-americana, morreu nesta segunda-feira em Montevidéu, depois de sofrer uma queda e bater a cabeça, ficou vários dias hospitalizado em estado grave.

Batlle, de 88 anos, comandou o Uruguai entre 2000 e 2005, enfrentando durante seu mandato uma das piores crises econômicas sofridas pelos uruguaios. Essa crise foi seguida por uma derrota eleitoral do Partido Colorado, da qual nunca mais se recuperou.

Quatro presidentes uruguaios tiveram o sobrenome Batlle, embora nem todos tenham encarnado a mesma versão do Partido Colorado, que governou quase ininterruptamente por mais de um século, com várias correntes dentro do partido que representam o republicanismo, o liberalismo, a social-democracia e o conservadorismo.

De tendência liberal e defensor do livre comércio, Jorge Batlle se distanciou do membro mais ilustre de sua família, Jorge Batlle y Ordóñez, presidente por duas vezes (1903-1907; 1911-1915), considerado o fundador do Uruguai laico, com uma economia estatista e com grandes garantias de proteção social.

“Pertenço ao Estado uruguaio por adesão”, disse uma vez o político, filho do presidente Luis Batlle Berres (1947-1951), cinco vezes candidato presidencial, com vários mandatos como senador e deputado.

Durante a ditadura uruguaia (1973-1984), foi preso várias vezes e ficou exilado no Brasil; assim que chegou ao poder, Batlle iniciou uma investigação sobre o paradeiro dos desaparecidos uruguaios.

Uma dessas investigações, em 2000, confirmou a identidade da neta do poeta Juan Gelman, Macarena, um dos bebês roubados durante a ditadura na Argentina.

Suas frases são lendárias no Uruguai, bem como suas gafes, sendo a mais famosa uma gravação na TV na qual surpreendeu afirmando que os políticos argentinos eram “um bando de ladrões do primeiro ao último”.

Daquela vez, Batlle pediu desculpas, mas não foi sempre tão gentil e, no dia de sua morte, volta à tona que, em 1970, duelou com uma espada contra um adversário político, seguindo os detalhes de uma lei de duelos que existiu no Uruguai até 1992.

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