Reino Unido anuncia restrições à contratação de estrangeiros

Ministra diz que as empresas terão que divulgar o número de trabalhadores estrangeiros empregados

Funcionários do Hospital Universitário Homerton (Londres) mostram cartazes com as suas nacionalidades, em foto divulgada pelo anglo-paquistanês Junaid Masood (à esq.).VÍDEO: REUTERS-QUALITY (reuters_live)

O Partido Conservador britânico (Governo) quis deixar claro no seu atual congresso anual, que termina nesta quarta-feira em Birmingham, que não está disposto a esperar a saída do país da União Europeia para adotar medidas que freiem a imigração. A ministra do Interior, Amber Rudd, anunciou na terça-feira um endurecimento das regras para a contratação de trabalhadores estrangeiros nas empresas britânicas, para garantir que estes não tirem empregos de cidadãos locais. “Precisamos garantir que as pessoas que vêm estão preenchendo vazios no mercado trabalhista, em vez de assumirem trabalhos que os britânicos poderiam realizar”, disse a ministra.

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As medidas incluiriam a obrigatoriedade de que as empresas divulguem o número de estrangeiros que empregam. Ela mencionou também um endurecimento da política de vistos para estudantes, que dependeria da qualidade da universidade solicitada, bem como a criação de um “fundo de controle da migração” no valor de 140 milhões de libras (577 milhões de reais).

O sistema de vistos para trabalhadores não europeus já se tornou mais rigoroso na época em que a hoje primeira-ministra Theresa May ocupou a pasta do Interior. Apesar disso, a imigração líquida (número de pessoas que chegam, menos o número das que saem do país) continua em volumes recordes. Os últimos dados a colocam acima das 327.000 pessoas, três vezes mais do que o limite que o antecessor de May, David Cameron, havia se comprometido a não superar.

As medidas anunciadas provocaram uma inflamada reação de universidades e empresários, incluindo as câmaras de comércio britânicas, que já mostraram diferenças com o Governo de May por causa dos planos preliminares dela para o rompimento com a UE. “Em épocas nas quais precisamos de fortes vínculos globais para acessar novas oportunidades depois do referendo [que levou ao rompimento com a UE, em junho], é vital oferecermos uma imagem de abertura", afirmou Josh Hardie, dirigente da entidade empresarial CBI, ao Financial Times. As universidades recordaram que a presença de alunos estrangeiros é essencial para a competitividade global das instituições, e que os estudantes de fora da UE oferecem uma contribuição líquida positiva à economia britânica, gerando cerca de 7 bilhões de libras (29 bilhões de reais) por ano e 137.000 empregos em todo o país. Os alunos estrangeiros representam mais de um quarto dos imigrantes que chegam a cada ano no Reino Unido (167.000 em 600.000).

Rudd reagiu às críticas nesta quarta-feira. Em um programa matinal da BBC, a ministra negou que seus planos sejam xenófobos. As medidas, acrescentou, não foram decididas, estando apenas entre uma série de possibilidades avaliadas pelo Governo. “Devemos ser capazes de falar sobre imigração, sobre quais habilidades devemos ter no país para estimular a economia.”

Às declarações de Rudd se somaram na terça-feira às do ministro da Saúde, Jeremy Hunt, que anunciou uma série de medidas para tornar o Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) menos dependente de profissionais estrangeiros. O NHS será “autossuficiente” quando o país deixar a União Europeia, segundo ele. Atualmente, 37% dos médicos que atuam no Reino Unido se formaram no exterior.

Finalmente, Liam Fox, titular da pasta de Comércio Internacional e um dos três ministros encarregados de negociar o novo lugar do Reino Unido no mundo, se negou a garantir os direitos dos quase dois milhões de cidadãos de outros países da UE que residem no Reino Unido. Estes, reconheceu, constituem “uma das melhores cartadas” de Londres em sua negociação com o bloco.

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