Sobrinho da família brasileira esquartejada na Espanha é suspeito do crime

Investigadores acreditam que suposto assassino viajou ao Brasil depois da descoberta dos corpos

Casa onde foram encontrados os corpos esquartejados da família brasileira.

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A Guarda Civil da Espanha não está tendo ajuda das autoridades brasileiras para localizar um suspeito de um crime brutal ocorrido na cidade de Pioz (Guadalajara), em que foram assassinados os quatro membros de uma família brasileira – um jovem casal esquartejado e seus dois filhos de um e quatro anos, degolados. Os corpos foram encontrados em 18 de setembro dentro de sacolas de plástico num chalé dessa localidade. As vítimas haviam sido assassinadas mais de um mês antes, segundo os exames forenses.

Um juiz do Tribunal de Instrução n.o 1 de Guadalajara emitiu mandado de captura internacional, em 22 de setembro, contra um homem brasileiro que seria familiar das vítimas: um sobrinho. Segundo fontes da investigação, ele supostamente teria viajado de Madri com destino ao Brasil em 20 de setembro, justo depois da descoberta do crime macabro.

A busca começou desde então, sem obter resultados até a última terça-feira. Os investigadores espanhóis enfrentam muitos problemas para contar com a colaboração das autoridades brasileiras. Por isso, o segredo de justiça foi apenas parcialmente mantido.

Um sobrinho chamado Patrick

A divulgação de parte das informações sobre a investigação abrange tanto o mandado de busca contra uma pessoa por suspeita de crime como a identificação das impressões digitais de dois dos corpos encontrados, que correspondem a Marcos Campos Nogueira e Janaína Santos Américo, ambos de 39 anos. Os outros dois corpos, das duas crianças, estão em processo de identificação.

O irmão de Marcos Campos, Walfran Campos, que colabora com os investigadores desde que chegou a Madri, há uma semana, realizou testes de DNA para comprovar que as vítimas são seus familiares. Ele deseja repatriá-las ao Brasil se conseguir obter o dinheiro necessário (“cerca de 25.000 euros” ou 90.000 reais).

Em entrevista a EL PAÍS na última sexta-feira, Walfran referiu-se a seu “sobrinho Patrick” como um dos parentes que estavam com seu irmão havia anos na Espanha. Walfran pretendia dividir um apartamento com o irmão e sua família quando se instalasse no país, o que pretendia fazer em breve. Os dois irmãos já tinham morado juntos em anos anteriores, segundo afirmou. Fontes não oficiais atribuem a esse familiar (Patrick) uma personalidade “violenta e instável”.

Os quatro corpos das vítimas permanecem sob custódia policial enquanto são realizadas as identificações e outros exames forenses. As outras frentes do processo continuam sendo conduzidas confidencialmente.