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Temer renova promessas ante empresários e faz apelo por PEC dos gastos

Em São Paulo, presidente mescla acenos de reformas e ênfase na "herança maldita": "A culpa não é minha"

Michel Temer em fórum empresarial em São Paulo.
Michel Temer em fórum empresarial em São Paulo. AFP

Diante de uma plateia de empresários em São Paulo, o presidente Michel Temer renovou suas promessas de que vai equilibrar as contas públicas por meio de reformas para as quais, na sua maioria, depende do Congresso. Temer voltou a afirmar, nesta sexta-feira, que a sua principal meta é a retomada do crescimento do país nem que, para isso, tenha que tomar medidas duras e impopulares. Prestes a completar um mês de ratificação na Presidência, Temer reiterou ser fundamental a aprovação da proposta constitucional que impõe um teto para os gastos públicos, em tramitação na Câmara, para reequilibrar as contas e resgatar a confiança no país. Segundo ele, caso a medida não seja aprovada, a dívida bruta do país poderá chegar a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024.

O presidente frisou, no entanto, que o Governo não quer, de nenhuma maneira, cortar gastos com saúde e educação, como afirmam os críticos à proposta. Ele também garantiu que manterá os programas sociais. “Quero dizer com letras garrafais que vamos manter os gastos com saúde e educação”, disse em evento da revista Exame. Ainda segundo Temer, se o teto for aprovado, provavelmente, não haverá necessidade de aumentar os impostos.

Durante seu discurso, que durou cerca de 30 minutos, Temer não poupou críticas ao Governo de Dilma Rousseff, com quem governou como vice desde 2011, e disse não ser culpado pelo quadro econômico grave que herdou de sua antecessora. “É como se deslumbrando o abismo no horizonte, [o Governo] tivesse colocado os dois pés no acelerador”, disse. “Nós encontramos um país que acumula trimestres consecutivos de queda do PIB e com inflação crescente. Chegamos a quase 12 milhões de desempregados. E reitero que não foi culpa minha”, explicou.

O presidente defendeu também, diante dos empresários, a parceria entre o Governo e a iniciativa privada para a retomada da economia. “O poder público não pode fazer tudo sozinho”, disse.

Sobre a reforma da Previdência, Temer explicou que o Governo está trabalhando para enviar uma proposta viável e sustentável ao longo prazo. Ele garantiu que ninguém que já é aposentado irá perder direitos. O presidente afirmou, no entanto, que, se não houver mudanças rápidas, nem ele mesmo receberá o benefício no futuro.

“Se não fizermos nada, em seis ou sete anos, quando eu, aposentado, for lá no governo buscar meu benefício, eles não terão dinheiro para pagar", disse. Ainda segundo o presidente, o déficit da Previdência deve atingir 150 bilhões de reais este ano e pode chegar a 190 bilhões em 2017. "Hoje os números da Previdência não fecham e as experiências de outros países mostram os graves danos sociais de postergar reformas previdenciárias", completou.

Após fazer um diagnóstico duro da saúde financeira do país, o presidente ressaltou que o mais importante é que o rumo da reconstrução já está traçado. E, para conduzi-lo, possui um competente dream team econômico, comandado pelo ministro Henrique Meirelles, fortemente elogiado pelos palestrantes do fórum empresarial. Afirmou ainda que o Governo está tomando medidas ousadas “porque a falta de ousadia se converte em covardia”.

Herança maldita

Outros seis integrantes do Governo Temer também participaram do evento e apresentaram discursos bastantes alinhados ao do presidente. Todos afirmaram que o grande problema do país é fiscal e que foi herdado da má gestão passada.

O secretário do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI), ministro Moreira Franco, por exemplo, criticou duramente as concessões feitas nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma. “Temos muitos problemas em concessões passadas com equívocos, contas mal feitas, prazos indevidos, falta de transparência, o que gerou uma desconfiança. “Procuramos, agora, analisar esses problemas para garantir um futuro mais seguro”, afirmou Franco que acredita que pode atrair mais investidores com uma segurança jurídica mais forte.

Maria Silvia Bastos Marques, presidente do Banco de Desenvolvimento Econômico (BNDES), também afirmou que a entidade deve começar a ter novas políticas. “No momento atual do banco, tentamos rever tudo o que foi feito nos últimos dez anos. Tudo precisa ter métrica, precisa ser medido”, disse.

Brasil alinhado com o FMI

Último a discursar nesta sexta-feira, Henrique Meirelles, voltou a frisar a necessidade da aprovação da PEC do teto para a retomada da confiança dos investidores. O ministro destacou ainda que a crise atual pode ser vista como uma oportunidade para resolver de vez a questão fiscal no Brasil, que foi recorrente nas últimas décadas.

Na avaliação de Meirelles, as últimas recomendações do Fundo Monetário Internacional (FMI) para "recuperar a sustentabilidade fiscal" e "retomar o crescimento" do país, citadas na última quinta-feira, estão em linha com o que o Governo tem feito e proposto.

Quando questionado por jornalistas sobre a sugestão do FMI de revisão da fórmula de cálculo do salário mínimo e de outros benefícios, Meirelles disse que o tema está sendo debatido no âmbito das discussões sobre a reforma da Previdência.

Confiante com as perspectivas para 2017, o ministro disse ainda que a taxa de desemprego, que no ultimo trimestre encerrou em 11,8%, "certamente" tende a começar a cair a partir do ano que vem.

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