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Jaime García-Legaz | Secretário de Comércio da Espanha

Espanha espera que acordo com UE-Mercosul seja concluído até 2017

Secretário de Comércio espanhol faz visitas a Brasil e a Argentina para debater o tema

O secretário de Comércio da Espanha, Jaime García-Legaz diz que a interinidade do Governo espanhol, paralisado pela falta de maioria no Parlamento para formar uma nova gestão, em nada interfere nas relações com outros Estados. Nesta semana, ele esteve na Argentina e no Brasil onde se encontrou com empresários e autoridades locais para discutir principalmente a troca de investimentos entre os países. Em entrevista ao EL PAÍS, em Brasília, García-Legaz afirma que espera uma conclusão das negociações do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, que enfrenta sua própria crise interna, até o fim do próximo ano. No mês que vem, os dois blocos econômicos terão uma nova rodada de negociação.

José Serra e o secretário de Comércio espanhol, Jaime García-Legaz.
José Serra e o secretário de Comércio espanhol, Jaime García-Legaz. EFE

Pergunta. O senhor esteve na Argentina nesta semana e agora está no Brasil. Do que se trataram esses encontros?

Resposta. No caso da Argentina, me convidaram para participar de um fórum de negócios e investimentos em Buenos Aires. Tive encontros com cinco ministros de Governo argentino. A Espanha tem uma relação intensa política e cultural com a Argentina e, obviamente, temos interesse em cooperar e buscar outras linhas de presença empresarial em Argentina. O Governo argentino tem interesse em incrementar os investimentos estrangeiros e seguramente as empresas espanholas estão bem posicionadas para investir mais. No caso do Governo do Brasil, esta visita acertei com o ministro Marcos Pereira, na reunião do G20, e coincidimos que era oportuno nos reunirmos diante de uma nova administração. A Espanha é um importante investidor no Brasil. Temos mais de 57 bilhões de dólares investidos no Brasil, somos sócios estratégicos a longo prazo, estamos em setores de infraestruturas, energia, bancários, seguros. E agora, abrem-se novas oportunidades. Há um projeto ambicioso de investimentos.

P. Está falando do PPI (Programa de Parceria e Investimento)?

R. Sim. Estivemos com o ministro Moreira Franco para obter informações e repassá-las aos nossos investidores sobre essa oportunidade que se abre.

P. Qual área mais interessa a Espanha nesse programa brasileiro?

A situação, temos de reconhecer, não é a ideal. Em situações normais haveria mais visitas do rei da Espanha e do presidente do Governo. Mas o nível de interlocução e de relação se mantêm em níveis razoáveis.

R. Nossas empresas são muito fortes na área de infraestrutura e cremos que algumas delas possam operar nesses projetos. Somos fortes no setor de energia elétrica, construções de rodovias, investimentos em aeroportos, também novos projetos ferroviários. Temos empresas que podem ser aliadas do Governo brasileiro no desenvolvimento de infraestruturas.

P. Nessa sua vinda ao Brasil, o senhor demonstra algum interesse de atrair investimentos brasileiros para a Espanha?

R. Sim. Total interesse. Somos abertas a todas as áreas. A Espanha é uma economia completamente aberta e há alguns investimentos brasileiros na Espanha, mas o volume ainda é muito pequeno. A vantagem que temos é que nós tratamos exatamente igual o investidor estrangeiro e o nacional. Aplicamos a todos a política de portas abertas. Estamos desejando que haja empresas brasileiras competindo com as espanholas.

Somos muito conscientes de que oferta inicial europeia (ao Mercosul) é muito insuficiente. Portanto, necessita melhorar de maneira substancial

P. Como a ausência de um Governo efetivo na Espanha pode interferir na relação com outros países, principalmente da América?

R. Nós seguimos tendo uma relação fluída com nossos sócios e particularmente com os países latino-americanos, com quem sempre tivemos uma relação muito especial. Durante todo o último ano presidentes latino-americanos, primeiros-ministros e ministros visitaram a Espanha. Estamos com mais limitações para viajar da parte espanhola, principalmente por parte do chefe de Estado e presidente de Governo, mas para isso estamos os ministros e secretários de Estado para manter essa relação mais intensa possível. A prova é que venho de Buenos Aires, estou em Brasília e vou para São Paulo. No mês de julho tivemos reuniões de trabalho com ministros mexicanos, o vice-presidente do Equador acaba de visitar Madri. Ou seja, a relação se mantém a parte da relação política da Espanha. Não é um problema grave. A situação, temos de reconhecer, não é a ideal. Em situações normais haveria mais visitas do rei da Espanha e do presidente do Governo. Mas o nível de interlocução e de relação se mantêm em níveis razoáveis.

P. O presidente Michel Temer e o primeiro ministro Mariano Rajoy se encontraram no G20. O brasileiro sugeriu algo ao espanhol para incrementar essa relação?

R. Que eu saiba houve um convite formal para o presidente Temer visitar a Espanha no primeiro trimestre do próximo ano. Tomara que possamos receber o presidente do Brasil. Já o recebemos no ano passado, como vice-presidente, em Madri. Nós promovemos um ato empresarial muito importante, que foi bem positivo.

P. O que mais foi tratado com as autoridades brasileiras?

R. Também estamos tratando do acordo comercial da União Europeia com o Mercosul. Nos últimos dois anos a Espanha tem liderado essa discussão na Europa, somos os defensores do acordo UE-Mercosul e estamos trabalhando intensamente com outros estados membros, como Itália, Portugal, Reino Unido, Dinamarca, Holanda e Suécia, para conseguir o maior peso político para levar adiante esse acordo.

P. O Governo brasileiro já disse que a Europa deveria trabalhar mais para que esse acordo prossiga. Como a Espanha pretende interferir neste sentido?

R. As negociações já se iniciaram. O acordo não está paralisado. De 10 a 14 de outubro haverá uma primeira rodada de negociações em Bruxelas, das duas partes, e isso é muito positivo. Somos muito conscientes de que oferta inicial europeia é muito insuficiente. Portanto, necessita melhorar de maneira substancial. Quem negocia é a Comissão Europeia, não somos nós, os Estados membros. Mas, sim, queremos levar nossa mensagem para a Comissão Europeia que esse acordo avance com rapidez e que há uma clara maioria dos Estados que se manifestou sua vontade de que ele se torne realidade. Gostaríamos de colher os primeiros frutos ao final do ano de 2017.

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