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Omran Daqnesh, que só conhece a guerra, sobrevive às bombas em Aleppo

Grupo ativista rebelde Aleppo Media Center divulga imagem de um menino sírio de cinco anos ferido durante um bombardeio recente

Menino sentado em uma ambulância em vídeo divulgado pelo Aleppo Media Center (AMC), grupo ativista contrário ao Governo sírio.

Omran Daqneesh é um pequeno sobrevivente de um bombardeio na Síria e mais novo ícone da batalha de Aleppo. Sentado na parte traseira de uma ambulância, completamente coberto de poeira e com o rosto ensanguentado; o menino aparece em um vídeo divulgado na quarta-feira pelo Aleppo Media Center (AMC), um grupo ativista contrário ao Governo sírio.

A criança, segundo a versão do AMC, foi ferida durante um bombardeio da Rússia ou do regime de Bashar al Assad em Aleppo. Raf Sanchez, correspondente do jornal britânico The Telegraph, informou que o menino se chama Omran Daqneesh e tem cinco anos, de acordo com fontes médicas. As mesmas fontes ressaltaram que o menor faz parte do grupo de cinco crianças e três adultos feridos durante o ataque ao bairro de Qaterji.

No último mês, nenhum comboio humanitário conseguiu entrar nas áreas sitiadas pelo governo ou por grupos rebeldes na Síria por causa dos combates, como denunciou na quinta-feira o enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura. O diplomata suspendeu, oito minutos depois do início, a reunião semanal de um grupo de trabalho para o acesso humanitário à Síria constituído por vinte nações influentes no conflito. “Suspendi a reunião como sinal de nossa profunda insatisfação com o fato de a ajuda não estar chegando à Síria devido à falta de uma trégua”, explicou Mistura à imprensa.

Em Aleppo, a segunda maior cidade do país, está sendo travada uma batalha feroz entre o regime de Damasco e as forças opositoras. Embora tenham sido declarados efêmeros cessar-fogos, os dois lados avançam e recuam sem que nenhum deles consiga dominar a situação. Al Assad conta com o apoio aéreo da Rússia, das tropas libanesas do Hezbollah, unidades de elite da Guarda Republicana do Irã e combatentes iraquianos e afegãos xiitas.

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O principal bloco rebelde é integrado por milícias sunitas agrupadas no chamado Exército da Conquista, uma coalizão formada por uma dúzia de grupos e encabeçada pela Frente da Conquista do Levante, que até recentemente se chamava Frente Al Nusra. Enquanto os Estados Unidos apoiam os opositores menos radicais, a Arábia Saudita, a Turquia e as monarquias do Golfo, apostam em grupos de inspiração salafista.

A organização Save the Children denunciou na passada semana um aumento dos ataques a escolas nas cidades de Idlib e Aleppo, no norte da Síria, onde os bombardeios e confrontos entre as facções se intensificaram nos últimos meses, deixando dezenas de crianças sem acesso à educação. Segundo a ONG, seis escolas foram atacadas em apenas sete dias, provocando a morte de crianças e professores. “Os menores que vão ao colégio correm um grave perigo”, indicou Helle Thorning Schmidt, diretora executiva da organização humanitária: “Muitos estudam em porões para se proteger dos ataques e desviam dos tiross a caminho da escola para poder fazer as provas”.

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