Atentado terrorista

Estado Islâmico assume autoria de atentado em trem da Alemanha

Jovem afegão feriu quatro pessoas esfaqueadas, três delas estão em estado grave

Bloqueio no local do ataque
Bloqueio no local do ataqueKarl-Josef Hildenbrand (EFE)

O Estado Islâmico informou que o autor do ataque era um de seus combatentes, convocados a atacar os países que enfrentam a facção terrorista na Síria e no Iraque, segundo publicado na agência Amaq, ligada ao grupo.

Allahu Akbar” (Alá é grande). Foram as palavras pronunciadas pelo jovem antes de iniciar as agressões por volta das 21h, segundo uma autoridade local. Além dos feridos, outros 14 passageiros saíram ilesos, mas tiveram de ser atendidos por causa do choque sofrido com o ataque.

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Várias testemunhas conseguiram avisar a polícia e o maquinista, que parou o trem em um bairro de Wurzburg. Um comando especial da polícia que estava na área por acaso abateu o afegão quando tentava fugir da composição.

O ministro do Interior da Baviera informou que o agressor tinha chegado à Alemanha havia pouco tempo como solicitante de asilo. Sem familiares, vivia até agora com uma família de acolhida em Ochsenfurt, pequena cidade a 20 quilômetros de Wurzburg. Ao ser perguntado sobre vínculos com o terrorismo islâmico, Herrmann mencionou a exclamação religiosa.

O ministro disse ainda que o ataque pode estar relacionado com o de Nice, já que nesse tipo de ação é possível que apareçam “imitadores”. O Estado Islâmico (ISIS, na sigla em inglês) demorou dois dias para reivindicar o atentado perpetrado pelo tunisiano Mohamed Lahouaiej Bouhlel na cidade francesa, em que morreram 84 pessoas.

Perigo de atentados

A Alemanha viveu os últimos meses alarmada com as notícias de que jihadistas que tinham viajado à Síria estavam em solo alemão. Apesar de todos os anúncios de atentado até agora terem sido alarmes falsos, as autoridades alertam para um perigo latente. O ministro do Interior, Thomas de Maizière, chamou a atenção recentemente para o crescente risco de ataques em solo europeu. “Acreditamos que o autodenominado Estado Islâmico responderá à perda de força na Síria e no Iraque com mais incursões no continente”, disse o ministro no fim de junho.

A motivação islâmica aumenta a tensão na Alemanha, país que acolheu no ano passado um milhão de solicitantes de asilo, a maioria de nações muçulmanas. Uma pesquisa recente elaborada pela Fundação Mercator e pela Universidade de Bielefeld mostrava que a maioria de alemães acredita que a entrada de refugiados aumenta o risco de atentados em território alemão.

A chanceler Angela Merkel enfrentou grandes pressões no ano passado, especialmente na Baviera, por se recusar a fechar a fronteira alemã para evitar a entrada de solicitantes de asilo, uma decisão que lhe rendeu um forte desgaste interno.

A chegada de refugiados diminuiu muito nos últimos meses. A queda no fluxo migratório se deve, em parte, ao acordo entre a União Europeia e a Turquia, mas sobretudo ao fechamento da rota dos Bálcãs iniciado pela Áustria e seguido pelo resto dos países da rota em decisões tomadas à revelia de Merkel.