Conflito racial

Atirador abre fogo e três policiais morrem nos Estados Unidos

Tiroteio aconteceu na localidade de Baton Rouge, onde negro foi morto neste mês, diz a mídia americana

Vários agentes da polícia em Baton Rouge (Lousiana) neste domingo.
Vários agentes da polícia em Baton Rouge (Lousiana) neste domingo.JOE PENNEY

Um novo ataque contra a polícia abalou os Estados Unidos. Ao menos três agentes morreram e outros três ficaram feridos com gravidades diferentes neste domingo por disparos realizados por um ou vários agressores perto de uma delegacia em Baton Rouge (Louisiana).

A polícia local confirmou que o ataque foi perpetrado por um único atacante e que ele foi morto, embora em primeiro lugar tivesse sido relatado que a polícia estava à procura de outros dois envolvidos. De acordo com relatos iniciais, o atirador estava vestido de preto e carregando um rifle, que apontaria para um ato premeditado de um país que não parece capaz de superar as tensões raciais.

A polícia da Louisiana informou no domingo à tarde que as vítimas têm entre 32 e 51 anos de idade, e que eles responderam ao alerta pela presença de um homem que andava com um rifle por uma avenida de Baton Rouge. Fontes citadas por vários meios de comunicação dos Estados Unidos identificaram o suspeito como Gavin Longo , um ex-marine negro que completou 29 anos neste domingo e que vive em Kansas City, Missouri.

Caso sejam confirmas as suspeitas, seria o segundo ataque contra policiais em pouco mais de uma semana. Na madrugada de quinta-feira 7 de julho, Micah Johnson, um jovem negro de 25 anos, matou cinco agentes que faziam a guarda de manifestantes que protestavam em Dallas devido às mortes de afro-americanos pelas mãos da polícia. Uma dessas vítimas foi Alton Sterling, um homem de 37 anos desarmado que recebeu vários tiros quando os agentes já haviam o dominado. Esse incidente ocorreu na mesma Baton Rouge onde agora aconteceu o ataque contra os agentes. Antes de morrer, Micah Johnson revelou que sua intenção era matar brancos, especificamente policiais brancos.

Ainda não se confirmou, no entanto, que esse é um caso similar. Mesmo assim, as condenações ao ataque contra os agentes rapidamente apareceram.

O presidente dos EUA, Barack Obama, condenou “nos mais duros termos” o ataque em Baton Rouge. “Pela segunda vez em duas semanas, agentes que arriscam suas vidas por nós e que estavam fazendo o seu trabalho foram assassinados em um ataque covarde e repreensível”, disse em um comunicado. “Esses são ataques contra servidores públicos, contra o Estado de direito e contra a sociedade civil, e têm que parar”, afirmou. Confirme-se ou não um fundo racial para esse novo caso, ataques como esse não têm justificativa alguma. “Nenhuma”, ressaltou Obama. “Não resolvem nenhum mal, não fazem avançar nenhuma causa”, afirmou o presidente, que precisou manter nas últimas semanas um equilíbrio difícil entre os ataques contra policiais e os casos de negros desarmados mortos pelas mãos de agentes, que não param de acontecer.

Organizações e ativistas afro-americanos se distanciaram imediatamente do ataque. “Os que fazem uso da violência não são uma extensão da nossa luta. Eles a traíram e tentam roubar a nossa autoridade moral”, disse o reverendo Jesse Jackson. “Não é uma questão de brancos ou negros, isso tem que parar”, insistiu o ativista pelos direitos civis, que participou neste domingo de uma audiência pública da organização que reúne agentes da lei afro-americanos nos Estados Unidos, o NOBLE. Seu presidente, Gregory Thomas, também condenou o ocorrido em Baton Rouge e afirmou que “não há separação entre ser afro-americano e um agente da lei”. “Somos as duas coisas”, disse.

O governador de Louisiana, John Bel Edwards, também condenou o novo ataque a tiros, que classificou como um “ataque atroz e injustificável contra todos em momentos em que precisamos de unidade e curar as feridas”.

O Departamento de Justiça, que abriu uma investigação oficial sobre a morte de Sterling, decidiu não se pronunciar neste domingo sobre o novo incidente, segundo a Reuters.

O novo ataque a tiros promete acirrar o acalorado debate nacional sobre as tensões raciais, a violência policial e, também, as crescentes agressões sofridas pela polícia em todo o país. O candidato presidencial republicano, Donald Trump, aproveitou o novo incidente para acusar o Governo democrata de “falta de liderança”.

“As mortes dos agentes em Baton Rouge nos machucam. Quantos policiais mais e quantas pessoas mais terão que morrer pela falta de liderança em nosso país? Cobramos lei e ordem”, disse o magnata nova-iorquino em um comunicado, às vésperas da Convenção Nacional Republicana em Cleveland (Ohio), em que será confirmado como o candidato conservador à Casa Branca.

Segundo o relato da polícia, o incidente começou às 9h da manhã do horário local, quando agentes da polícia de Baton Rouge e do gabinete do xerife de East Baton Rouge foram atacados a tiros perto de um shopping center da cidade. A emissora local WBRZ citou uma testemunha segundo a qual um homem vestido de preto e com o rosto coberto começou a atirar de forma indiscriminada contra os agentes. Em um vídeo reproduzido pelas emissoras de televisão dos EUA, é possível escutar muitos disparos contra vários carros de patrulha estacionados na área.

O incidente ocorreu a 1,5 quilômetro do quartel-general da polícia de Baton Rouge, onde dezenas de manifestantes que protestavam devido à morte de Alton Sterling foram detidos na última semana e meia.

A polícia isolou a área e considera a cena do crime ainda “ativa”, até que se confirme a situação das duas pessoas procuradas. Um porta-voz da polícia pediu que a população fique atenta e reporte se vir um ou dois indivíduos vestidos de preto, mascarados e armados.

O governador Edwards prometeu que todos os responsáveis “serão levados rapidamente perante a Justiça”.

Os agentes feridos foram levados a um hospital local, onde estavam recebendo atendimento de urgência. Ao menos um dos agentes está em estado grave.

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