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“Orgulhoso de ser muçulmano e norte-americano”: doar sangue em Orlando durante o Ramadã

Mahmoud ElAwadi pediu a união contra o ódio após o ataque a uma boate gay da Flórida

Mahmoud ElAwadi é um norte-americano muçulmano que vive em Orlando e trabalha na firma financeira Merril Lynch. Depois do atentado na boate Pulse, saiu de casa para doar sangue, como muitos outros cidadãos – ou melhor, os que puderam, já que os homossexuais continuam proibidos de doar sangue na Flórida.

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ElAwadi postou no Facebook uma foto desse momento, acompanhada de um texto. A publicação já teve mais de 81.000 compartilhamentos e acumulou quase 175.000 reações em menos de 12 horas.

Nesse texto, ElAwadi propõe superar o ódio, depois do atentado em que um homem armado matou 50 pessoas e feriu outras 53 na boate Pulse, muito frequentada pela comunidade gay de Orlando.

-Yes my name is Mahmoud a proud Muslim American . -Yes I donated blood even though I can't eat or drink anything cause I...

Gepostet von Mahmoud ElAwadi am Sonntag, 12. Juni 2016

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- Sim, meu nome é Mahmoud, e tenho orgulho de ser um norte-americano muçulmano.

- Sim, doei sangue apesar de não poder comer nem beber nada, porque estou jejuando durante o Ramadã, assim como centenas de outros muçulmanos que doaram sangue hoje em Orlando.

- Sim, estou furioso com o que aconteceu ontem à noite e com a perda de todas essas vidas inocentes.

- Sim, estou triste, frustrado e enlouquecido pelo fato de um maluco [que] se diz muçulmano ter cometido esse ato vergonhoso.

- Sim, testemunhei a grandeza deste país vendo milhares de pessoas de pé, embaixo de um sol de 33oC, esperando a sua vez de doar sangue, mesmo depois de serem informados que a espera seria de cinco a sete horas.

- Sim, esta é a maior nação sobre a Terra assistindo a pessoas de diferentes idades, incluindo crianças, voluntariando-se para distribuir água, suco, comida, sombrinhas e protetor solar. Assistindo também aos nossos velhos veteranos que vêm doar. E ao lado deles mulheres muçulmanas de hijab levando comida e água a doadores na fila.

- Sim, juntos enfrentaremos o ódio, o terrorismo, o extremismo e o racismo.

- Sim, nosso sangue é todo igual, então saia daí e doe sangue, porque nossos compatriotas norte-americanos estão feridos e precisam do nosso sangue.

- Sim, nossa comunidade na Flórida central está arrasada, mas vamos deixar de lado nossas cores, religiões, etnia, orientação sexual, visões políticas, tudo isso, para podermos nos UNIR contra quem tenta nos ferir.

O texto também foi compartilhado no Twitter, como no caso da mensagem desta usuária que recorda que “há muçulmanos doando sangue em Orlando enquanto jejuam no mês sagrado do Ramadã. Como qualificá-los?”. Esse tuíte foi reproduzido mais de 21.000 vezes desde a tarde de domingo.

Outro muçulmano que falou do atentado foi o imã Daayiee Abdullah, o único clérigo islâmico abertamente homossexual dos Estados Unidos. “O objetivo dessa violência é nos sequestrar e nos manter ocultos, porque alguns têm medo da mudança e das pessoas que são diferentes”, afirmou ele ao site The Daily Beast. E acrescenta: “Em nenhum lugar do Corão está dito que é preciso punir os homossexuais”.

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