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A Parada do Orgulho Gay mais triste da América com o ataque em Orlando

Silêncio e pesar no desfile da comunidade LGBT na Filadélfia, horas depois do massacre na Flórida

Ataque em Orlando
Ativista carrega cartaz "em memória das vítimas da boate Pulse" durante desfile do Orgulho Gay na Filadélfia. AFP

Era para ser um dia de festa, de celebração da liberdade e da igualdade, mas se tornou uma nervosa marcha, na qual os números dos mortos em uma boate gay de Orlando cresciam até converterem-se no pior ataque a tiros na história dos Estados Unidos.

Uma drag queen caminha com passo firme, apesar de seus sapatos de plataforma, com mais de 25 centímetros de altura. O som dos seus saltos ressoava no silêncio de Broad Street, a principal avenida da Filadélfia, em uma manhã quente e ensolarada de domingo. Em condições normais, teria sido um dia de rebeldia e festa. Agora, ela olha para frente, sem piscar, com o edifício City Hall em seu horizonte.

Com um gesto consternado, para no cruzamento com a rua Locus. Não há gritos de alegria, cartazes ou balões, mas cinco furgões de polícia, um destacamento especial de segurança no ponto previsto para o começo do desfile do orgulho gay, apenas horas depois do massacre de Orlando.

“Este é o orgulho mais triste que poderíamos comemorar, o mais triste que se celebra”, disse, antes de começar a chorar. Junho é o mês do Orgulho nos EUA, com desfiles, comemorações e festas nas principais cidades do país.

Um casal de mulheres cruza a rua de mãos dadas. Uma delas leva a bandeira do arco-íris amarrada ao pescoço. Ambas sorriem. “Não vamos permitir que ninguém arruíne o nosso dia. Hoje é um dia para celebrar o amor”, comenta uma delas, ao mesmo tempo em que garantem que os mortos no clube Pulse, na noite passada, estarão presentes nas suas mentes e corações durante o dia.

Um casamento inter-racial de dois homens, que exibem camisetas contra as leis discriminatórias de alguns Estados para o coletivo LGBT, confirma que este domingo não será um dia de orgulho como qualquer outro. “Desejamos que venha mais gente do que nunca, mas o mais provável é que seja muito menos. É normal. Há o medo”.

Vários grupos organizadores dão os retoques nos carros alegóricos, mas o silêncio indica que, este ano, o orgulho é menos festivo do que nunca nesta cidade.

“Esse dia será de homenagem aos mortos em Orlando e uma reivindicação total de que falta muito a ser feito, e de que a luta pela igualdade e contra o ódio, infelizmente, ainda é necessária”, afirma Andrew, um dos organizadores da marcha, diante de uma multidão muito menor que a de anos anteriores.

É verdade que chegam famílias, muitas com crianças, mas o evento segue longe de receber uma multidão, e o tenso silêncio impõe-se a um desfile que arranca sem música, com a solenidade de um funeral, no lugar da festa que aconteceu em anos passados.

Em uma esquina, cinco voluntários informam os assistentes sobre como deveriam se registrar para votar nas próximas eleições. O objetivo é que o coletivo LGBT vote maciçamente para impedir a chegada à Casa Branca de um candidato republicano que quer levantar restrições ao porte de armas.

“Temos que impedir uma mudança conservadora na América e que haja um retrocesso no que conquistamos estes anos”, disse um deles. Segundo eles, o massacre de Orlando e a política não são conceitos alheios um do outro.

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