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Tenista Maria Sharapova é suspensa dois anos por doping

Tenista russa testou positivo no Aberto da Austrália

A tenista russa Maria Sharapova.ROBYN BECK (AFP) | REUTERS-QUALITY

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Para a Agência Mundial Antidoping (AMA) bastaram dois indícios para incluir o Meldonium em sua lista de sustâncias proibidas. Há cerca de um ano observou que sua ingestão era maciça entre os esportivas do Leste, onde é comercializado (fundamentalmente na Rússia). Além disso, em seu folheto o fabricante garantia que aumentava o rendimento. Foi descoberto em um laboratório de Colônia na urina de mais de uma centena de esportistas russos e em 1 de janeiro de 2016 seu consumo passou a ser proibido. Está incluído na categoria de moduladores hormonais.

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Maria Sharapova, de 29 anos, é uma dessas esportivas russas que, apesar de residir nos Estados Unidos, consumia Meldonium. Na realidade, tomava o medicamento vendido na Letônia como Mildronate. E o consumia havia 10 anos. Nesta quarta-feira foi informada da punição de dois anos imposta pela Federação Internacional de Tênis (ITF). E imediatamente anunciou que apelará da decisão no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS).

A ex-número um do mundo foi pega em um controle realizado em 26 de janeiro, quando disputava o Aberto da Austrália. A análise da amostra de urina recolhida depois da partida das quartas de final (caiu diante de Serena Williams, 6-4, 6-1) deu positivo em Meldonium, segundo certificou um laboratório acreditado pela WADA em Montreal (Canadá).

Em uma coletiva de imprensa em 7 de março, em Los Angeles, a jogadora assumiu a responsabilidade e disse não saber que aquela substância que consumia havia muito tempo tinha passado a ser vetada. Um “grande erro” que punha um freio à sua carreira. De fato, a AMA (que anunciou com alguns meses de antecedência que o Meldonium passaria a estar proibido no início de 2016) havia feito alguma concessão para quem dera positivo nos primeiros meses do ano, pois poderia haver alguns restos no sangue. Como Sharapova confessou que continuara consumindo depois de 1 de janeiro não havia forma de escape para ela. “Sei que tenho que enfrentar as consequências”, disse em março. Ontem, porém, a pena lhe pareceu pesada demais.

A jogadora, atualmente na 26ª posição na classificação mundial (WTA), explicou na época que tomava Meldonium para tratar problemas de saúde, tais como gripes recorrentes ou eletrocardiogramas irregulares. Além disso, citou casos de diabetes em sua família.

A punição, que começa a contar desde o dia 26 de janeiro, vai até meia-noite de 25 de janeiro de 2018, quando a tenista –que perde os pontos e os ganhos econômicos obtidos naquele Aberto da Austrália– terá 31 anos. “Não quero terminar minha carreira com uma suspensão por doping. Minha esperança é que possa ter uma segunda oportunidade e voltar a competir”, dizia. Nesta quarta-feira, os dois anos de punição lhe caíram como uma ducha de água fria. Reconhecer o consumo e a não intenção de violar as normas da AMA, pensou ela, reduziria a pena. Não foi assim.

“O tribunal, cujos membros foram selecionados pela ITF, aceitou que eu não havia feito nada de errado intencionalmente, ainda assim buscaram a maneira de afastar-me do tênis durante dois anos”, afirmou, em um texto em sua página do Facebook, na qual também anunciou que apelaria ao TAS imediatamente para a suspensão parcial da sentença. Nessa mesma mensagem na rede social a tenista critica duramente a Federação Internacional de Tênis: “Gastaram uma enorme quantidade de tempo e recursos econômicos para tentar provar que violei intencionalmente as regras antidoping, apesar de o tribunal ter concluído que não fiz isso”, encerra.

O Meldonium “ajuda na recuperação depois do exercício, protege contra o estresse e melhora a ativação do sistema nervoso central”, segundo escreveram os membros do laboratório de Colônia em uma publicação científica.

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