Sharapova

As grandes marcas se afastam de Sharapova

Nike, Porsche e Tag-Heuer abandonam a russa, que ganha 29,7 milhões de dólares por ano

Sharapova, durante um ato publicitário em Nova York (2006).D. B.

Sem adereços e apresentando uma aparência austera, distante do glamour e da grandiloquência que costumam marcar suas aparições, Maria Sharapova confessou. A russa, de 28 anos, convocou a imprensa para anunciar que um exame feito na última edição do Aberto da Austrália, em janeiro, tinha tido resultado positivo. O anúncio gerou uma comoção no mundo do tênis e em todo o âmbito do esporte, mas também uma inquietude no circuito comercial que envolve a tenista mais midiática da última década.

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O golpe foi de dupla magnitude. No esportivo, com o nome de mais uma figura de primeiro nível sendo manchado pelo doping, e, no econômico, com a siberiana expondo-se à perda de parceiros publicitários. Em primeiro lugar, a Nike, multinacional norte-americana que lhe fornece material desde os 11 anos. Sharapova então assinou seu primeiro contrato com a marca Oregon, que depois de saber do resultado positivo da atleta reagiu de forma fulminante, desfazendo o vínculo com a russa.

“Estamos tristes e surpresos. Decidimos suspender nossa relação com Maria enquanto a investigação continuar. Continuaremos controlando a situação”, afirmou a empresa em um comunicado. Há seis anos, em 2010, Nike e Sharapova fecharam uma renovação que representaria 70 milhões de dólares (cerca de 265 milhões de reais) à russa, um dos grandes símbolos da multinacional. Times Square, Picadilly Circus e as avenidas de Paris, onde houvesse suportes publicitários, com frequência era possível ver Sharapova exibindo suas roupas.

Mas a Nike, que há três semanas também deixou de patrocinar o boxeador filipino Manny Pacquiao por seus comentários homofóbicos –“são piores que animais”, disse— não é a única. Masha também tem acordos com a Head, especializada em uniformes de tênis e raquetes, e com outras marcas que pouco têm a ver com o esporte. Por exemplo, a Cole Haan (sapatos e acessórios femininos), Evian (água mineral francesa), American Express (cartões de crédito), Avon e Supoergoop (cosméticos) e Porsche, a montadora alemã que seguiu nesta terça-feira, dia 8, a trilha aberta pela Nike. Ao meio-dia, a empresa, que também tinha se comprometido a bancar um torneio próprio da tenista, a ser realizado em dezembro na University of California Los Angeles (UCLA), comunicou: “Lamentamos as notícias sobre Maria. Até que não saibamos de mais detalhes e sejamos capazes de analisar a situação, suspenderemos as atividades”.

Sharapova posa ao lado de um Porsche em Paris, no ano passado.
Sharapova posa ao lado de um Porsche em Paris, no ano passado.CHARLES PLATIAU (REUTERS)

Pouco antes, a Tag Heuer, fabricante de relógios de luxo, tinha liberado a esportista de ouro, com quem iniciou uma relação há 12 anos e com quem tinha selado um novo contrato em 31 de dezembro passado. Mas,“em vista da situação”, afirmou a empresa suíça em outra nota, “suspendemos as negociações e não renovaremos o contrato”.

Assim, vai desmoronando o império comercial de Sharapova, um enorme filão mercadológico. Apoiada em um físico imponente, com seus cabelos loiros e 1,88 m de altura, a jogadora nascida em Niagan e radicada nos Estados Unidos desde os sete anos encerrou o exercício passado (pelo 11o ano consecutivo) como a esportista com maior receita em todo o planeta, apesar de atualmente ocupar o sétimo lugar do ranking mundial e de estar a anos-luz, competitivamente, de Serena Williams, a quem só conseguiu derrotar duas vezes (as duas em 2004), em 21 jogos com a número 1.

A russa fatura 29,7 milhões de dólares (112,86 milhões de reais) por ano. No entanto, sua fonte econômica principal não vem do tênis (6,7 milhões de dólares ou 25 milhões de reais), mas dos patrocinadores (23 milhões de dólares e 86,71 milhões de reais), que agora, pouco a pouco, a vão abandonando. Além do tênis, Masha é empresária. Em 2012, criou a empresa Sugarpova, dedicada à venda de doces em lojas exclusivas e hotéis de todo o mundo. O desembolso inicial foi de meio milhão de dólares (1,88 milhão de reais) e atualmente está avaliada em 20 milhões de dólares (75,4 milhões de reais).

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