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Maduro anuncia “contraofensiva” frente às “ameaças” do exterior

O presidente de Venezuela criticou os Estados Unidos e países europeus, e comparou situação do país com a do Brasil

O presidente venezuelano Nicolás Maduro.

A oposição venezuelana desafiou abertamente na segunda-feira o governo do presidente Nicolás Maduro. Henrique Capriles, governador do estado de Miranda e ex-candidato à presidência, classificou o decreto de estado de exceção proposto pelo chefe de Estado como um “lixo” político. “Se Maduro quer aplicar o decreto, que vá colocando os tanques de guerra. Não vamos aceitar isso, faço um chamamento ao país para ignorar esse decreto. Digo às Forças Armadas Nacionais que está chegando a hora da verdade... Não queremos solução militar, mas isto é inaceitável”, disse na segunda-feira em uma entrevista coletiva em Caracas.

O presidente Nicolás Maduro, por sua vez, declarou na segunda-feira ser vítima de uma conspiração internacional para derrubar seu governo e denunciou uma “brutal” campanha política e midiática contra seu Executivo. Numa entrevista coletiva no palácio presidencial de Miraflores, o chefe de Estado venezuelano denunciou que a “Venezuela quer ser levada a situação de violência generalizada que sirva como desculpa posterior para uma intervenção militar internacional”. Maduro também anunciou o início de uma “contraofensiva” política para fazer frente às “ameaças” e “agressões” que a Venezuela recebe do exterior e que, segundo Caracas, giram em torno do eixo Miami-Madri-Bogotá.

O presidente se dedicou a repetir manchetes da imprensa internacional e a denegrir, com nome e sobrenome, os jornalistas autores das informações. Este diário está entre os jornais criticados por Maduro.

O decreto de estado de emergência econômica e estado de exceção publicado por Maduro confere mais poderes ao presidente da Venezuela para tomar decisões que, inclusive, podem limitar garantias constitucionais. A coalizão de oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD) diz que é um ardil para impedir a realização do referendo revogatório e outras saídas democráticas contra Maduro.

Maduro também dedicou alguns minutos para falar da situação brasileira. Aliado histórico dos governos petistas, o presidente disse que "pararam o Brasil que começou a emergir como uma grande potência de paz, integração e desenvolvimento compartilhado". De acordo com o mandatário, que classificou o processo de impeachment de Dilma como um "golpe de Estado", "não existem elementos que justifiquem o afastamento da presidenta". Maduro comparou a situação da Venezuela com a do Brasil, já que ambos os países estariam lidando com uma "agressão sistemática da mídia e da diplomacia": "é a geopolítica de reconquista da América Latina e do Caribe pelos Estados Unidos e seus aliados europeus".

Marcha da oposição

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, nesta terça-feira.

Com o estado de exceção, o Executivo tem a capacidade de suspender manifestações de rua, restringir as comunicações, entre outras medidas, quando sentir uma ameaça contra o Estado. Para Capriles, o decreto não intimida os opositores que se refugiaram nos últimos dias no protesto para solicitar celeridade na verificação de 1.850.000 assinaturas consignadas há 15 dias no CNE e, assim, avançar aos próximos passos no processo revogatório.

Capriles confirmou que na terça-feira os opositores marcharão até a sede do Conselho Nacional Eleitoral –controlado pela situação– em todo o país para exigir a agilização da instalação do processo revogatório contra o presidente da Venezuela.

Em Caracas, os opositores propõem desobedecer a proibição do prefeito do município Libertador, Jorge Rodríguez, de marchar em direção ao centro da capital. “Não se trata de que a oposição não passará por Libertador, mas de que ela já está lá. Você se esqueceu dos resultados de dezembro (data da eleição parlamentar vencida pela oposição)?”, disse o ex-candidato presidencial.

Em uma das duas marchas realizadas na semana passada para exigir celeridade no referendo, o líder da oposição foi agredido com gás lacrimogêneo pela polícia. Capriles diz não ter medo das intimidações do Governo que, supostamente, tenta postergar o processo revogatório contra Maduro.

Em duas marchas anteriores os opositores não conseguiram ultrapassar os enormes cordões de segurança ordenados pelo Governo para chegar à sede principal do Conselho Eleitoral, localizada na coroa do chavismo: o centro de Caracas.

A oposição acredita que a visita a Caracas dos ex-presidentes José Luis Zapatero (Espanha), Leonel Fernández (República Dominicana) e Martín Torrijos (Panamá) diminua a tensão na Venezuela. De acordo com Capriles, essa mediação não pode ser resolvida no simples diálogo com o Governo e a oposição: “O único diálogo é o processo revogatório”.

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