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Ilan Goldfajn será o novo ministro do Banco Central

Celebrado pelo mercado, Goldfajn mostra que a promessa de notáveis do Governo Temer ficou restrita à equipe econômica

Ilan Goldfajn
Ilan Goldfajn é indicado para a presidência do Banco Central. Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, confirmou o nome do economista Ilan Goldfajn para o comando do Banco Central (BC) em substituição a Alexandre Tombini. O anúncio foi feito em entrevista coletiva na manhã dessa terça-feira. Goldfajn já foi diretor de Política Econômica do BC de 2000 a 2003, na gestão de Meirelles no banco, e atualmente era o economista-chefe do Itaú-Unibanco, o maior banco privado do país. O futuro presidente do BC não participou da coletiva, mas estava a caminho de Brasília para se reunir com a equipe econômica. Meirelles antecipou a entrevista que estava marcada inicialmente para as 11 horas para dar a notícia antes da abertura do mercado.

Com mestrado pela PUC e doutorado pelo Massachusetts Institute of Technology (MTI), o novo presidente do BC é aclamado pelo mercado financeiro e tem um vasto conhecimento de economia e uma série de artigos publicados. O economista de 50 anos também é diretor do centro de debates políticas públicas em São Paulo e atuou como consultor de organizações internacionais, como o Banco Mundial, Fundo Monetário Internacional (FMI) e as Nações Unidas. Respeitado pelo mercado e pelo setor privado. Sua confirmação, depois da nomeação de Henrique Meirelles na Fazenda na semana passada, mostra que a ideia de criar um ministério de notáveis no Governo de Michel Temer, como foi aventado inicialmente, ficou restrita à equipe econômica.

O nome de Goldfajn já era dado como certo nos últimos dias. A transição do cargo, no entanto, ainda deve demorar alguns dias já que para tomar posse o economista ainda precisa passar por uma sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Meirelles explicou ainda que o novo comandante do BC deixará de ter status de ministro de Estado, um acontecia desde 2003, mas que pedirá o foro privilegiado a toda a diretoria do banco através de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC). O ministro da Fazenda explicou ainda que o Governo também vai propor ao Congresso uma "autonomia técnica" para o Banco Central. Entretanto, afirmou que a "autonomia da decisão do BC não se confunde com independência".

O ministro da Fazenda também anunciou os demais nomes da sua equipe. Mansueto de Almeida Júnior, renomado especialista em contas públicas, será o secretário de Acompanhamento Econômico e o ex-diretor do BC Carlos Hamilton Araújo será o secretário de Política Econômica da Fazenda. O economista do Ipea Marcelo Caetano irá comandar a secretaria da Previdência. Permanecem nos cargos aqueles que não tiveram substitutos anunciados, incluindo Otávio Ladeira como secretário do Tesouro e Jorge Rachid na secretaria da Receita Federal.

Meirelles afirmou ainda que conta com o atual presidente do BC, Alexandre Tombini, para continuar colaborando com o governo federal em outra alta função. Em nota, Tombini comentou a escolha de Goldfajn. "Suas qualidades e sua formação o credenciam a uma bem sucedida gestão frente a autoridade monetária brasileira".

Como novo comandante do Banco Central, Goldfajn terá de lidar com a desafiadora política de juros. No Itaú, o economista vinha destacando que a atual recessão econômica brasileira e a desvalorização do real frente ao dólar deveriam contribuir para a queda da inflação, o que poderia possibilitar um espaço para o corte de juros no segundo semestre deste ano. Os juros básicos da economia estão atualmente em 14,25% ao ano, a taxa mais elevada em quase dez anos.

Em entrevista ao EL PAÍS em fevereiro, Goldfajn  afirmou que a inflação no país já possuía as condições necessárias para ceder ainda neste ano e apostou em uma recuperação do Brasil em 2017.

Aumento de impostos

Questionado por jornalistas diversas vezes sobre a possibilidade de aumento de impostos nos próximos meses, Meirelles reiterou, durante a coletiva, que o Governo ainda não tomou decisão sobre o aumento de tributos, algo que poderia passar pela recriação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), ou sobre o aumento da Contribuição de Intervenção sobre Domínio Econômico (Cide), que incide sobre a venda de combustíveis. Os novos impostos viriam para reforçar as contas públicas. Meirelles voltou a dizer também que é preciso um diagnóstico da saúde financeira do país para depois tomar as medidas necessárias.

Segundo Meirelles, a evolução da reforma da Previdência e a conclusão da análise do processo de impeachment no Senado devem eliminar parte das incertezas do cenário atual e aumentar a confiança dos investidores no Brasil, o que ajudará a retomada do crescimento no país. " A retomada da confiança é um processo geométrico, que começa devagar e se acelera".

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