Dilma se defende de pedido de investigação de Janot atacando Delcídio por “prática de mentir”

Presidenta afirma que declarações de seu ex-líder no Senado são “levianas”

Declaração ocorre após PGR enviar pedido ao STF para investigá-la com base na delação

Delcídio do Amaral
A presidenta Dilma em evento no Palácio do Planalto. AFP

Diante da informação de que pode se tornar formalmente mais uma das investigadas na operação Lava Jato, a presidenta Dilma Rousseff resolveu atacar seu ex-líder no Senado Delcídio do Amaral (sem partido-MS), cuja delação serviu de base para o pedido de investigação da presidenta. Em um breve pronunciamento à imprensa após um evento no Palácio do Planalto, Rousseff disse que Delcídio é mentiroso. “As denúncias feitas pelo senador Delcídio do Amaral são absolutamente levianas e, sobretudo, mentirosas. Conforme já reiterei sistematicamente desde que elas apareceram. Aliás, o senador Delcídio tem a prática de mentir”.

Os pedidos contra Rousseff, contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, tratam de uma suposta obstrução de Justiça na Lava Jato. Em sua delação, o senador Delcídio disse que o Governo tentou impedir que ele assinasse um termo de colaboração com o Ministério Público Federal e tentou interferir no trabalho da Justiça ao nomear o magistrado Marcelo Navarro Ribeiro Dantas para uma vaga de ministro no Superior Tribunal de Justiça. O pedido de investigação feito por Janot também aborda a nomeação de Lula para o ministério da Casa Civil como uma tentativa de evitar que ele obtivesse a prerrogativa de foro e fosse preso pelo juiz de primeira instância Sergio Moro.

Em nenhum momento de sua fala, que durou pouco mais de três minutos, a presidenta declarou ser inocente. Ela não respondeu a nenhum questionamento dos jornalistas. Rousseff afirmou que sempre foi a favor das apurações sobre os crimes, mas que estranha o fato de as informações referentes à inclusão de seu nome no rol de investigados na Lava Jato tenha vindo à tona a poucos dias do plenário do Senado Federal se manifestar sobre o afastamento dela do cargo. A votação está prevista para ocorrer no dia 11 de maio. “Aqueles que vazaram têm interesses escusos e inconfessáveis. Vou solicitar ao ministro da AGU que solicite a abertura no Supremo para apurar esses vazamentos”.

A maior parte do pronunciamento de Rousseff foi feito lendo uma nota assinada pelo advogado-geral da União e enviada na madrugada desta quarta-feira para parte da imprensa. Em sua defesa, Lula seguiu na mesma linha de Rousseff. Por meio de uma nota emitida na noite de terça-feira pelo instituto que leva o seu nome, o ex-presidente afirmou que “a peça (...) indica apenas suposições e hipóteses sem qualquer valor de prova”. Para o líder petista, “trata-se de uma antecipação de juízo, ofensiva e inaceitável, com base unicamente na palavra de um criminoso [o senador Delcídio]”.

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