Atentado San Bernardino

FBI pagou mais de um milhão de dólares para acessar celular de assassino

Diretor da agência reconhece que o pagamento foi superior ao salário que vai ganhar no resto de seu mandato, 1,3 milhão de dólares

O diretor do FBI, James Comey, no último dia 5. C. OSORIO/AP

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O Federal Bureau of Investigation (FBI) dos Estados Unidos pagou mais de 1 milhão de dólares para um grupo de “hackers” profissionais para ajudá-lo a acessar o celular iPhone usado pelo autor do tiroteio em San Bernardino (Califórnia), em dezembro passado, que deixou 14 pessoas mortas.

Quando perguntado pelos jornalistas em uma conferência realizada na quinta-feira, o diretor do FBI James Comey evitou revelar o montante exato que foi pago aos hackers, mas indicou que foi superior ao que ele vai ganhar durante todo o tempo que ainda ficará em seu cargo.

“(Eles receberam) muito. Mais do que eu vou ganhar durante o tempo que ficarei nesse emprego, que são sete anos e quatro meses, posso assegurar”, disse Comey quando perguntado quanto foi pago pela tecnologia que permitiu acessar o iPhone.

O salário do diretor do FBI é público e equivale a 181.500 dólares por ano, de modo que o valor total que Comey ganhará até deixar o cargo será de aproximadamente 1,33 milhão de dólares.

Pelas palavras de Comey, é possível concluir que o grupo de “hackers” recebeu um valor superior a esse montante.

No dia 12 de abril ficou conhecido que o FBI tinha entrado em contato com os hackers, que encontraram um defeito no software desconhecido até então e facilitaram as informações aos agentes para que estes criassem uma peça de hardware que permitiu o acesso ao telefone.

O método permitiu aos investigadores evitar o código pessoal de quatro dígitos sem ativar um mecanismo de segurança usado pela Apple, fabricante do dispositivo, que teria eliminado todo o conteúdo do telefone, caso fossem inseridos códigos incorretos mais de 10 vezes.

Assim, o FBI teve acesso ao celular de Rizwan Farook, responsável, com sua esposa Tashfeen Malik, pela morte de 14 pessoas em dezembro na Califórnia, depois de uma longa disputa legal, pois a Apple se recusava a ajudar.

A empresa alegava que se concordasse com a demanda do governo colocaria em risco a privacidade de todos seus dispositivos.

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