Panama Papers

Almodóvar suspende divulgação de ‘Julieta’ pelo alvoroço causado pelos Panama Papers

“Com a prioridade informativa de assuntos alheios” ao filme, a produtora cancela apresentação

Emma Suárez, Daniel Grao e Adriana Ugarte, protagonistas de 'Julieta' na segunda-feira em Barcelona. ANDREU DALMAU

As últimas ações de divulgação do filme Julieta, o vigésimo longa-metragem de Pedro Almodóvar, foram canceladas após a descoberta pelo vazamento dos Panama Papers que o diretor e seu irmão e produtor, Agustín Almodóvar, aparecem como donos da sociedade Glen Valley Corporation de junho de 1991 até novembro de 1994, registrada nas Ilhas Virgens Britânicas, um território considerado como paraíso fiscal pela Espanha. “Com a prioridade informativa de assuntos alheios a Julieta, a El Deseo decidiu cancelar a sessão de fotos e o junket (nome em inglês para a viagem de jornalistas paga por empresa ou governo) previstos para amanhã”, explicou a produtora de Almodóvar em um breve comunicado, em relação às ações previstas para quarta-feira. Também não serão feitas entrevistas com o diretor. Mas os compromissos acertados foram mantidos, como as entrevistas com todo o elenco.

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Os irmãos Almodóvar estão na longa lista de políticos, empresários e atletas donos e vinculados a sociedades de fachada reveladas pelo vazamento dos Panama Papers. Na segunda-feira, os Almodóvar disseram em um comunicado que estavam “em ordem” com suas obrigações tributárias, mas se recusaram a fazer declarações sobre a empresa que possuíam em um paraíso fiscal.

Tal como sustenta a investigação, a empresa se manteve ativa de 22 de março de 1991 até 11 de novembro de 1994 e sua tramitação foi feita pelo escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca e Genebra (Suíça). A criação da empresa se deu na mesma época dos primeiros sucessos do diretor. Em 1990 estreou Ata-me!, que arrecadou 3,1 milhões de euros (12,93 milhões de reais), e em 1991, De Salto Alto, com uma bilheteria de 5,2 milhões de euros (21,70 milhões de reais).