CRISE POLÍTICA

Oposição tenta turbinar impeachment com a delação de Delcídio do Amaral

Governistas argumentam que pedido de impedimento não envolve Lava Jato, só "pedaladas"

Manifestantes protestam contra o Governo na Esplanada dos Ministérios.
Manifestantes protestam contra o Governo na Esplanada dos Ministérios.GREGG NEWTON

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Se a vida da presidenta Dilma Rousseff não está fácil na comissão especial criada para discutir seu impeachment, na qual já existe uma pequena maioria em favor de seu impedimento, a situação pode ficar ainda pior. Nesta segunda-feira, o presidente da comissão, Rogério Rosso (PSD), informou que aceitou arquivos anexos à denúncia original aceita pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), entre eles a tóxica delação premiada do senador Delcídio do Amaral (sem partido). Diante de uma série de contestações dos governistas que compõem a comissão, contudo, Rosso prometeu consultar sua equipe jurídica para anunciar, nesta terça-feira, se a decisão será mantida — a defesa de Dilma já havia sido informada sobre a decisão, contudo.

O problema de acrescentar a delação de Delcídio ao processo aberto contra Dilma é que, ao aceitar a denúncia feita pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal, em dezembro, o presidente da Câmara considerou apenas o que dizia respeito às "pedaladas fiscais", e não à Operação Lava Jato. Ou seja, a comissão só poderia levar em conta as manobras fiscais para julgar se a presidenta merece permanecer no cargo. É o que argumentaram os governistas, como o deputado Henrique Fontana (PT), para quem aqueles que torcem pelo impeachment de Dilma tentam alterar a acusação após perceber como aquela que foi aceita é frágil.

O deputado Mendonça Filho (DEM) rebateu. Para ele, "se avolumaram" fatos que advogam contra Dilma após a aceitação do pedido de impeachment, e essas novidades não podem deixar de ser levadas em conta. O vice-presidente da comissão, Carlos Sampaio (PSDB), tentou defender a decisão de Rosso da seguinte forma: a delação foi apenas anexada, e não aditada — o que seria irregular ou, caso considerada regular, ampliaria o prazo de defesa da presidenta —, e, portanto, o relator do caso, Jovair Arantes (PTB), não pode embasar sua decisão na delação. Ele pode apenas levar as denúncias de Delcídio em consideração.

Fora a confusão, a presidenta tem agora o prazo de oito sessões ordinárias do plenário da Câmara para apresentar sua defesa. As próximas duas devem ocorrer nesta semana, mais curta por conta do feriado da Semana Santa. Caso Dilma não apresente sua defesa na próxima semana, os autores do pedido de impeachment devem ser convidados a comparecer à reunião da comissão para debater o caso com os deputados. Os governistas cobraram que os acusadores sejam acompanhados por juristas contrários ao impedimento.

Sem vida fácil na comissão do impeachment, os governistas ainda terminaram a noite tendo de conviver com novo protesto em frente ao Congresso Nacional, Por volta das 21h, centenas de pessoas se aglomeravam diante do espelho d'água do prédio com buzinas incessantes e feixes de laser apontados para o Congresso.