OMS diz que aumentam as evidências entre o zika vírus e a microcefalia

Comitê de Emergência mantém alerta sanitário e aconselha grávidas a evitar lugares afetados pelo vírus

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, e o presidente do Comitê de Emergências, David Heymann, em Genebra, no dia 8 de março.
A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, e o presidente do Comitê de Emergências, David Heymann, em Genebra, no dia 8 de março.SANDRO CAMPARDO (EFE)

O Comitê de Emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu nesta terça-feira manter o alerta global pelo zika vírus e reconheceu que há cada vez mais evidências da associação entre o vírus e doenças neurológicas graves, como microcefalia. Assim, o Comitê de Emergência da OMS, que declarou o alerta em fevereiro passado após a detecção no Brasil de um aumento importante de casos de microcefalia em bebês nascidos de mães infectadas, aconselhou as grávidas a evitar os lugares afetados pelo zika. Um vírus que registrou casos autóctonos em 31 países da América e para o qual ainda não existe vacina ou tratamento.

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A OMS ressaltou, no entanto, que ainda não foi definitivamente comprovado a relação causal entre o zika e a microcefalia e outros problemas neurológicos graves, como a síndrome de Guillain-Barré, do qual também foi detectado um aumento de casos. Para isso, pediu à diretora da organização, Margaret Chan, que devem ser feitos mais estudos.

As autoridades de saúde “devem estar preparadas para um potencial aumento em malformações congênitas e síndromes neurológicas”, disse David Heymann, presidente do Comitê de Peritos da OMS, em uma conferência de imprensa em Genebra, transmitida por teleconferência. “O que vemos no Brasil [com o aumento de casos de microcefalia] poderia também ser visto na Colômbia e em outros países. E isso é muito alarmante”, disse Heymann,

“É evidente que uma infecção de zika durante a gravidez pode ter consequências graves”, disse Chan. Na verdade, mesmo os poucos estudos – e com mostras pequenas – detectaram não só microcefalia, também abortos involuntários e outros danos no córtex cerebral do feto. Levando em conta estes problemas, a diretora da OMS pediu aos países que não esperem a confirmação final de que existe uma relação causal entre zika e microcefalia e fortaleçam já suas políticas de saúde pública destinadas a impedir o contágio, como a erradicação do mosquito transmissor – principalmente o Aedes aegypti – e evitar a transmissão da doença por via sexual.