Tempestade Jonas

Tempestade Jonas deixa 25 mortos na costa leste dos Estados Unidos

Mais de 36 horas de nevascas e fortes ventos paralisaram a costa leste dos EUA

Um homem caminha por uma rua de Washington neste domingo.

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Washington precisará de vários dias para retomar sua atividade normal depois do choque de neve que durante 36 horas bloqueou 20 Estados da costa leste, com mais de 80 milhões de habitantes. Os mais de 60 centímetros de neve acumulada na maioria das ruas obrigaram a prefeitura a decretar o fechamento das escolas públicas e universidades nesta segunda-feira. A decisão também afeta as escolas de outras partes na região, em Maryland e Virgínia, assim como as repartições federais. O governador de Maryland, Larry Hogan, declarou no domingo que “o retorno à normalidade levará tempo”.

A rede de metrô, a segunda com mais passageiros em todo o país, iria abrir à primeira hora da manhã e não cobrará pelos trajetos, mas só vai operar nas estações cobertas, e não em todas as linhas. Os ônibus da capital só circularão em vias consideradas essenciais e a cada meia hora entre a 12 e 17 horas, por isso, a maior parte da cidade continuará sem transporte público. Os fechamentos afetam também o Congresso, que suspendeu toda sua atividade até 1 de fevereiro.

As autoridades da capital insistiram durante todo o fim de semana em que o final da tempestade, uma das piores de que se tem lembrança na história da cidade, não significa que as ruas voltem a ser seguras. As tarefas de limpeza poderão estender-se até o final da semana. No domingo se repetiram cenas de moradores tentando limpar seus carros, bloqueados pela neve, para depois perceberem que ainda não podiam trafegar pelas ruas. Como medida de dissuasão, a prefeitura anunciou no fim de semana multas de 750 dólares (cerca de 3.100 reais) a quem tentasse circular e ficasse retido em uma via, impedindo a passagem das máquinas limpa-neve ou veículos de emergência.

Há Estados em pior situação. Na Carolina do Sul e Carolina do Norte, dois dos primeiros a sofrer o impacto do Jonas na sexta-feira, ainda há 140.000 moradores sem energia elétrica. A tempestade e as inundações também causaram cortes de eletricidade para 49.000 habitantes de Nova Jersey, mais ao norte.

Crianças deslizame pelas ladeiras de Central Park, em Nova York.
Crianças deslizame pelas ladeiras de Central Park, em Nova York.DON EMMERT (AFP)

Em Nova York as coisas estão voltando mais rapidamente à normalidade. “A neve vai ficar conosco um tempo, mas acredito que conseguiremos ter uma boa situação nas próximas 24 horas”, dizia no domingo o prefeito de Nova York, Bill De Blasio. A Bolsa operará normalmente, as escolas abrirão e o metrô está voltando progressivamente a operar, embora com alguns atrasos.

Já no domingo a cidade havia voltado à vida. Se no sábado estava proibida a circulação de carros e interrompido o tráfego de ônibus (a própria ventania e o meio metro de neve no solo tornavam quase impossível essa locomoção), e o metrô havia parado em muitos trechos, no domingo saiu um sol radiante que transformou o Central Park em um parque temático branco. As famílias brincavam com trenós e esquis e as lojas, das quais muitas tinham permanecido fechadas durante o dia, voltaram a ficar lotadas de clientes.

As autoridades também pediram à população que só saia de carro se isso for imprescindível. “Nossos funcionários estão trabalhando sem descanso e devemos lhes dar espaço para limpar as ruas. Se sair, fique em alerta por causa do gelo e das baixas temperaturas”, disse De Blasio.

Esta foi a segunda pior tormenta em um século e meio, muito perto do recorde de 2006, com mais de 60 centímetros de neve. Em Nova Jersey, a situação é pior porque será preciso enfrentar também os danos causados pelas inundações.

Mais de 9.000 voos precisaram ser cancelados desde o início da tempestade na Costa Leste. O aeroporto JFK, em Nova York, ainda enfrenta cancelamentos. Em Washington, o Aeroporto Nacional Reagan e o Aeroporto Internacional Dulles já conseguiram retirar a neve das pistas na noite de domingo, mas seu serviço continuará limitado durante a segunda-feira, e os voos deverão levar vários dias até serem normalizados.

Nestas agoniantes 36 horas de tempestade, as autoridades haviam pedido a todos os cidadãos que não saíssem à rua por causa das condições “de vida ou morte”. Na capital, a neve começou a cair por volta de 12h de sexta-feira (hora local) e perdurou até 0h de domingo, com momentos de visibilidade nula devido à nevasca e aos ventos intensos.

A tempestade Jonas percorreu mais de 1.600 km em 36 horas. Em Kentucky e na Pensilvânia, deixou dezenas de veículos presos em trechos de rodovia bloqueados pela neve. Em Nova Jersey, o aumento do nível do mar causou inundações que superam as provocadas pelo furacão Sandy em novembro de 2012.

A massa branca acumulada no Central Park, ponto de referencia habitual para mensurar o nível de uma tormenta na cidade de Nova York, chegou a 26,8 polegadas (mais de 66 centímetros), muito perto do recorde da nevasca de 2006 (26,9 polegadas).

“Não me importa que nós, nova-iorquinos, sejamos durões”, disse ontem à noite o governador do Estado, Andrew Cuomo. “As rodovias são muito perigosas e a situação só vai piorar.” Tanto na capital como em Nova York a tempestade Jonas ganhou força em suas últimas horas, fazendo nevar ainda mais do que o esperado pouco antes de terminar. Neste domingo, a tempestade deu lugar a céus azuis e temperaturas abaixo de zero, que não ajudarão a derreter a neve acumulada.

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