Tempestade de neve

Washington e parte dos EUA sofrem com nevasca “extremamente perigosa”

Capital dos EUA pode ser coberta por mais de 60 centímetros de neve neste fim de semana

Entrada do Supremo Tribunal em Washington.ATLAS / AP

“Quero deixar muito claro para todos que esta é uma tempestade monstruosa”, disse a prefeita de Washington, Muriel Bowser, enquanto a cidade terminava seus preparativos para enfrentar o que pode ser uma das piores tempestades de sua história. Na sexta-feira à tarde a prefeita alertou que infelizmente continuava a haver muita gente nas estradas, apesar da rápida aproximação da tempestade, chamada por Bowser de “questão de vida ou morte”. A cidade, que não passa por tempestade semelhante há mais de 90 anos, pediu a presença da Guarda Nacional para dar apoio à polícia e aos bombeiros locais. A nevasca teria já provocado até algumas mortes na região. De acordo com informações da Reuters, pelo menos seis pessoas morreram em acidentes de carros na região. Outros dois homens morreram após sofrer paradas cardíacas enquanto limpavam a neve de suas casas, em Washington.

As autoridades de Nova York e da Filadélfia também emitiram alertas, porque a tempestade também pode atingir significativamente seus centros urbanos, embora com menor precipitação de neve – 30 cm em Nova York e de 25 a 42 cm na Filadélfia. A combinação de baixas temperaturas, precipitação de neve e ventos fortes, de 60 a 90 km/h, provoca temor de queda de energia. Ao todo, mais de 70 milhões de pessoas podem ser afetadas na região, que vai da Geórgia ao Norte do Estado de Nova York. O prefeito de Nova York recomendou que as pessoas não saiam de suas casas.

“Tem potencial para se tornar uma tempestade extremamente perigosa”, disse na quinta-feira Louis Uccellini, diretor do Serviço Nacional de Meteorologia. Segundo Uccellini, os danos provocados pelo vento e pela neve poderiam paralisar a costa Leste dos Estados Unidos até segunda-feira, com prejuízo de até um bilhão de dólares (mais de 4 bilhões de reais). Há previsão de inundações e de elevação do nível do mar entre Delaware e Nova York, mas não no mesmo nível das provocadas pelo furacão Sandy em 2012.

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Os governadores da Carolina do Norte, Maryland, Virgínia, Pensilvânia e Tennessee, junto com o Distrito de Colúmbia, decretaram estado de emergência para poder liberar recursos para combater a tempestade. Em Washington os órgãos de tráfego começaram a trabalhar às 7 da manhã (hora local) na remoção de veículos estacionados em vias de emergência para permitir o trabalho das máquinas de limpar neve. Os preparativos para a tempestade levaram ao esvaziamento das gôndolas dos maiores supermercados da capital desde quinta-feira, e o Congresso adiou as votações de segunda e terça-feira devido à possibilidade de parada nos transportes no início da semana que vem.

Várias empresas aéreas anunciaram o cancelamento de voos desde a tarde de sexta-feira, em preparação para a tempestade. Os aeroportos mais afetados são Dulles International e Reagan National, em Washington, o aeroporto Internacional de Baltimore e Newark (em Nova Jersey). Em Nova York, foi proibido estacionar nas vias principais, e mais de 1.000 trabalhadores foram mobilizados para assegurar o funcionamento do metrô. A chegada da tempestade à cidade era esperada para entre as 6 e as 8 horas da manhã deste sábado.

As ruas de Washington completamente cobertas de neve.
As ruas de Washington completamente cobertas de neve.Jon Elswick (AP)

A capital do país pode sofrer neste fim de semana uma das piores tempestades já registradas, mais forte que a de 2010, que deixou 45,2 cm de neve. A prefeitura determinou o fechamento completo do sistema de transporte urbano –incluindo a segunda maior rede de metrô em número de passageiros do país- durante três dias. As autoridades decretaram o fechamento das repartições federais a partir do meio-dia e pediram aos outros habitantes para deixar o centro da capital a partir da mesma hora, de forma a evitar congestionamentos nas estradas de saída de Washington.

A curta, mas intensa, nevasca da noite de quarta-feira, que provocou engarrafamentos de mais de seis horas em volta de Washington, serviu de aviso tanto para os moradores quanto para as autoridades. A prefeita pediu desculpas por uma “resposta inadequada”, que deixou presa até a comitiva do presidente Barack Obama no retorno da Base Andrews, em Maryland. A nevasca mais intensa registrada em Washington ocorreu em 1922, quando a capital ficou coberta por um manto de neve de 71 cm de espessura.

Emergência em Nova York

SANDRO POZZI (Nova York)

A cidade de Nova York corria contra o tempo para finalizar os preparativos para enfrentar a tempestade, antes de começarem a cair os primeiros flocos, na noite de sexta-feira. O sistema foi pensado para operar com 30 a 45 cm de neve. A maior intensidade da nevasca será sentida entre 8 da manhã e meio-dia deste sábado, mas continuará havendo precipitação até à noite.

A maior cidade dos EUA permanecerá durante a manhã em estado de emergência devido ao mau tempo. A polícia poderá impedir os carros de circular se considerar que estão atrapalhando o trabalho de retirada de neve ou operações de emergência. “Não é uma proibição, mas também não queremos ficar bloqueados por um carro no meio da rua”, disse o prefeito Bill de Blasio, que voltou a pedir aos moradores que fiquem em casa ou usem os meios de transporte públicos caso precisem se deslocar.

“Façam o que precisarem hoje, não amanhã, assim poderemos estar com tudo pronto para que tudo volte ao normal no domingo”, insistiu, enquanto os moradores faziam às pressas compras de última hora. As autoridades nova-yorkinas terão que improvisar. Dependendo de como evoluir a tempestade, que vem do Sul, a cidade será mais ou menos afetada. Nas últimas horas foram revistas –para cima- as previsões de acúmulo. O metrô e os trens urbanos continuam a operar, mas não são descartadas possíveis interrupções no serviço.

A precipitação, no pior cenário, não será tão grande como a que se espera para Washington, que já estava branca quando as primeiras nuvens começaram a chegar a Nova York. O maior problema para a cidade dos arranha-céus será o vento. A cominação dificulta enormemente a visibilidade para quem está dirigindo. “O motorista não vai conseguir enxergar o que está à sua frente”, disse o prefeito de Nova York. Serão usados 1.800 carros limpa-neve nas ruas.

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