Joaquim Levy será diretor financeiro do Banco Mundial

O ex-ministro da Economia sentiu-se desautorizado por Dilma depois que ela vetou seus cortes no orçamento de 2016

Joaquim Levy ao chegar no Ministério da Fazenda.
Joaquim Levy ao chegar no Ministério da Fazenda.UESLEI MARCELINO REUTERS

Mais informações

Levy, o todo-poderoso ministro brasileiro de Economia desde janeiro de 2015, respeitado pelo mercado e considerado um aval de conservadorismo econômico dentro do Governo da presidenta Dilma Rousseff, deixou o cargo no último dia 18 de dezembro, após uma maré de rumores e incertezas sobre seu destino. A causa de sua saída – que se via vir nos últimos meses – foi a progressiva e, ao fim, fatal, falta de sintonia entre ele e a presidenta. Em geral, me meio à crise que atravessa Brasil, Levy era partidário de cortes ainda mais profundos, e Rousseff, pressionada por seu partido (PT), não lhe dava carta branca.

O último e definitivo desencontro entre a presidenta e o ministro da Economia aconteceu em meados de dezembro, com a aprovação do orçamento para 2016. Levy considerava que era preciso conservar 0,7% do PIB brasileiro, ou seja, 42.800 milhões de reais (cerca de 11.900 milhões de dólares) para enxugar as dívidas; o Congresso, com a anuência do resto do Governo, aprovou a reserva de somente 0,5%, ou seja, 30.580 milhões de reais (8.308 milhões de dólares). A diferença residia em cortar ou não um dos programas sociais mais populares do Governo de Rousseff (e anteriormente, de Lula), o Bolsa Família, destinado aos filhos de famílias pobres em idade escolar. A partir daí, Levy sentiu-se desautorizado e demorou três dias para anunciar sua demissão.

Agora Levy, um economista formado na escola de Chicago, voltará aos EUA, onde vivem três de suas filhas.