Escravas para os estrangeiros do Estado Islâmico

Grupo jihadista aprova a “posse” de mulheres como recompensa para os que lutam

Yazidis pedem em agosto a libertação das mulheres.
Yazidis pedem em agosto a libertação das mulheres. (REUTERS)

“Para aqueles [mujahidins] que estão há muito tempo separados de suas esposas por serviços na frente de batalha e expedições, e para os muhajirines [os que emigraram ao califado vindos do estrangeiro] que deixaram esposa e filhos para trás e têm pela frente um longo exílio (...), a graça divina e maravilhosa generosidade lhes traz as cativas e escravas”.

Tanto os papéis de Al-Tamimi como os vazados pelos EUA após a operação de Abu Sayyaf são datados do começo de 2015. Durante esse ano, através de depoimentos de mulheres libertadas pelas tropas iraquianas e as milícias curdas, especialmente das yazidis que foram capturadas em 2014 nos arredores do monte Sinjar, organizações independentes e a ONU acusaram o EI de escravidão e violência sistemática contra as presas.

Em linhas gerais, segundo os documentos do Departamento de Pesquisa e Fatwa, o grupo jihadista permite tomar como escravas as mulheres e crianças dos combatentes “infiéis” – e o proíbe no caso de não muçulmanos (cristão, judeus...) que vivam dentro do califado – comprar e vender essas escravas; permite engravidá-las, e obriga a mantê-las, alimentá-las e mostrar “compaixão”. O decreto do EI especifica, entretanto, que será o imã (autoridade religiosa) o responsável por autorizar as relações sexuais com elas. “Não é permitido ter relações carnais com elas e se aproveitar delas simplesmente por serem escravas”, diz um dos documentos divulgados por Al-Tamimi.

Em um dos decretos aos quais a Reuters teve acesso, elaborado após as denúncias de violações contra mulheres, existem 15 normas que o membro do EI deve seguir com suas escravas. “Não é permitido ao proprietário de uma mulher cativa”, diz um dos pontos do decreto 64, “ter relações sexuais até que ela tenha seu ciclo menstrual e esteja limpa”. A fatwa desautoriza também a prática de sexo com as grávidas; o sexo anal; que um pai e um filho mantenham relações com a mesma mulher, e que no caso de mãe e filha, as relações só podem ocorrer com uma delas.

MAIS INFORMAÇÕES

Garotas yazidis libertadas justamente na operação contra Abu Sayyaf revelaram que o líder do grupo, Al-Bagdadi, mantinha várias escravas sexuais. Entre as mulheres em seu poder estava a norte-americana Kayla Mueller, estuprada pelo jihadista iraquiano, conforme revelou a própria família da voluntária após receber informação da inteligência norte-americana.

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