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Na corrida para reativar protestos, os anti-Dilma voltam às ruas dia 13

Surpreendidos por Cunha, grupos se rearticulam de olho de cronograma do Congresso

Manifestações anti-Dilma
Manifestantes na avenida Paulista em 16 de agosto. REUTERS

Acolhido na quarta-feira pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o pedido de impeachment de Dilma Rousseff provocou uma corrida para reorganização de protestos pró e contra o impeachment. Movimentos dos dois lados foram pegos de surpresa pelo anúncio e ainda estudam os passos seguintes e as alianças que serão feitas nas ruas. De olho no timing para pressionar parlamentares no processo na Câmara, os anti-Dilma do Movimento Vem Pra Rua, Movimento Brasil Livre e Revoltados On Line, articuladores dos maiores protestos deste ano, convocaram em várias cidades do Brasil ato batizado de “Esquenta para o impeachment” no próximo domingo, 13.

O protesto do dia 13 seria uma espécie de prévia da Mega Manifestação, ainda sem data para acontecer. Os organizadores dizem que o ato do domingo também será pela saída de Eduardo Cunha, evidenciando o desconforto de ter o peemedebista, envolvido em escândalos, como deflagrador do processo. “O pedido de impeachment não é do Eduardo Cunha. Ele foi feito e protocolado por cidadãos brasileiros, que conhecem lei, constituição e já participaram de outros momentos importantes da história política brasileira. Cabe ao Eduardo Cunha apenas encaminhá-lo nesse momento e conduzir todos os ritos na Câmara. Ele vinha tratando desse pedido misturando com interesses pessoais e barrando a parte democrática do processo”, afirmou Rogério Chequer, líder do Vem Pra Rua.

Protestos pró-Dilma

No lado pró-Dilma, uma grande encontro de lideranças está prevista para este domingo em São Paulo, reunindo PT e Central Única dos Trabalhadores (CUT), para definir os próximos passos. Ainda de maneira tímida, a primeira manifestação nas ruas foi da CUT, em Brasília, na tarde desta sexta-feira, a favor de Dilma e contra o impeachment, que foi chamado de "golpe". “Vamos às ruas lutar pelo Estado de Democrático de Direito, contra o golpe e o retrocesso, em defesa do mandato da presidenta Dilma e, também, pela mudança da política econômica e pelo desenvolvimento econômico, com justiça social e distribuição de renda”, diz comunicado oficial do grupo. Outro ato da CUT está marcado para 8 de dezembro no Rio de Janeiro, na Candelária.

Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que integra a Frente Nacional de Mobilização Povo Sem Medo junto com a CUT, Guilherme Boulos afirmou que o grupo deve se reunir nos próximos dias para definir a agenda de manifestações. “Juntamente com outros movimentos vamos discutir uma mobilização de rua, mas ainda não temos data definida.” Boulos disse ainda que os atos não serão pró-Dilma, mas sim contra o impeachment e a favor da queda de Eduardo Cunha. “Deixamos claro o nosso desacordo com as políticas que vem sendo implementadas pelo Governo. (O protesto) Não é um salvo conduto para o governo Dilma.” O MTST é contra as políticas de austeridade adotadas pela presidenta, entre elas os cortes de 6 bilhões de reais no programa de habitação Minha Casa, Minha Vida.

Do lado petista, Rui Falcão, presidente nacional do partido, aposta na rejeição a Cunha para galvanizar o apoio de Dilma. “A decisão dos nossos deputados de votarem pela continuidade do processo no Conselho de Ética mobilizou nossa militância no país inteiro. Ela tem certeza que agora, com essa decisão de separar o joio do trigo, nós abrimos um caminho para estabelecer uma nova governabilidade no país.”

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