Guerra na Síria

Reino Unido ataca o Estado Islâmico na Síria com aval do Parlamento

Horas depois da votação no Parlamento, caças britânicos atingem alvos jihadistas

Um caça britânico decola na base de Chipre.

A aviação britânica iniciou na madrugada desta quinta-feira seus bombardeios contra posições do Estado Islâmico (EI) na Síria, segundo anúncio feito pelo ministro da Defesa, Michael Fallon. Quatro aviões Tornado decolaram da base aérea de Akrotiri, em Chipre, para realizar a primeira operação de uma campanha que, como admitiu Fallon na manhã desta quinta à BBC, não será curta.

Os ataques começaram poucas horas depois de o Parlamento britânico aprovar, com 60% dos votos, a ampliação à Síria dos bombardeios que a Real Força Aérea (RAF, na sigla em inglês) já realiza desde o ano passado contra posições do Estado Islâmico no Iraque. Depois da aprovação da medida parlamentar, os Tornados britânicos já começaram a lançar bombas em ambos os lados da fronteira sírio-iraquiana, a qual o próprio EI não reconhece.

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Após mais de 10 horas de debate, a moção de Cameron obteve 397 votos a favor (incluindo 66 deputados da oposição trabalhista) e 223 contra. O resultado refletiu a divisão na sociedade britânica sobre como combater o terrorismo global imposto pelo EI. A Câmara dos Comuns decidiu que, como havia dito Cameron, “não é hora de esperar sentados”. Centenas de cidadãos antibelicistas se manifestaram durante todo o dia nos arredores do Parlamento.

Segundo a BBC, as bombas de precisão Paveway lançadas nesta madrugada pelos Tornados alcançaram seis alvos do campo petrolífero de Omar, no leste da Síria, controlados pelo EI. A operação, afirmou Fallon na rádio pública, terminou com sucesso. O propósito da missão era, segundo o ministro, impor “um golpe real aos dividendos petrolíferos dos quais o EI depende”.

O ministro da Defesa insistiu na BBC que o Reino Unido não é partidário de mobilizações terrestres de forças ocidentais, mas assegurou que “pelo ar” é possível ter resultados consideráveis, incluindo a destruição da infraestrutura petrolífera que financia os jihadistas. O EI obtém milhões de dólares a cada semana com a venda de petróleo no mercado negro, a compradores de dentro e fora da Síria.

O presidente francês, François Hollande, somou-se na quarta-feira ao norte-americano Barack Obama em seus elogios à incorporação do Reino Unido aos ataques aéreos contra os jihadistas na Síria.

O Reino Unido utiliza desde 2014 a base cipriota como centro de operações para seus ataques contra o EI no Iraque, mantendo ali 860 militares e diversos caças, entre eles oito Tornados GR4 e uma aeronave Voyager de reabastecimento, além de drones Predator armados com mísseis Hellfire.

O Governo britânico antecipou que pretende ampliar o número de caças na base e completar a frota de ataque com aeronaves Typhoon Eurofighter. A RAF provavelmente escolherá alvos principalmente na região da Raqqa, principal reduto do EI, e no leste da Síria, perto da fronteira com o Iraque.

O Reino Unido bombardeia o EI no Iraque desde setembro de 2014, mas na Síria até agora se limitava a colaborar com operações de inteligência e logística, pois em 2013 o Parlamento havia rejeitado a autorização para bombardear a Síria. Naquela época, o principal alvo não era o EI, e sim o regime de Bashar al Assad, inimigo dos jihadistas. No começo de setembro deste ano, o Governo admitiu que havia matado dois cidadãos britânicos em um ataque com drones em território sírio, alegando na ocasião ter agido em legítima defesa.

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