Seleccione Edição
Entra no EL PAÍS
Login Não está cadastrado? Crie sua conta Assine

“A barreira que me separava das outras meninas desapareceu”

Isabela Shiozuka, de 17 anos, conta como se descobriu feminista e quer angariar adeptas

Jovem feminista, de 17 anos Ampliar foto
Isabela, de 17 anos

Quando eu era criança sempre preferi a companhia dos meninos, ao invés de andar com as meninas. Havia claramente, segundo eles, uma barreira bem grande que me separava das outras meninas. Durante a infância, eu era diferente das meninas porque elas eram frescas. Mais tarde, e durante a maior parte da minha adolescência, eu era diferente das meninas porque elas eram putas. Isso me fazia melhor do que as outras meninas, isso me fazia um deles, mesmo eu não sendo. No começo desse ano, enquanto andava com meus amigos, estritamente garotos, fui questionada por defender uma garota a quem eles se referiam como "puta". "Você é feminista?", eles questionaram. "Não. Eu sou só a favor do direito das mulheres, mas acho que o feminismo é exagerado, por isso, me considero humanista". Sim, eu disse isso. Mas ao mesmo tempo isso gerou um incômodo muito grande pois eu senti um certo medo de ser julgada pelos meus amigos como uma "puta, gorda e lésbica", a forma como eles se referiam às feministas.

Chegando em casa, pesquisei no Google sobre a palavra "feminismo" e encontrei coisas absurdamente maravilhosas e libertadoras. Tudo o que eu me policiava para não falar na frente deles, tudo aquilo que me prendia, desapareceu. Assim como aquela barreira que me separava das outras meninas. Recorri a algumas amigas do colégio e vi que haviam garotas que se denominavam feministas, e as mesmas me deram força para também me denominar feminista. Infelizmente, a maior parte das outras garotas, tanto na minha escola, como na minha família, reproduzem machismo, assim como os garotos. Então, desde que me percebi feminista tento conscientizar o máximo de garotas possíveis (e garotos também).

Como ainda existem pessoas que não estão politizadas em relação ao movimento, vemos por aí projetos de lei como os de Eduardo Cunha (PL 5069), que quer complicar a via pela qual o SUS oferece às mulheres vítimas de estupro a pílula do dia seguinte, apesar de já estar assegurado pela lei o direito ao aborto em caso de violência sexual. Por isso, acredito que seja de suma importância as manifestações que vem sendo realizadas. Não podemos aceitar mais violência contra as mulheres que gritam por ajuda! Não podemos aceitar o nosso corpo preso às decisões do Estado! Mulheres e garotas brasileiras, convido vocês a virem às ruas! Machistas não passarão!

Pesquisei no Google sobre a palavra "feminismo" e encontrei coisas absurdamente maravilhosas e libertadoras

MAIS INFORMAÇÕES