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Um guia para aproveitar a ‘black friday’ sem ser enganado

Não se deixe levar por ofertas falsas, faça uma lista do que precisa e compare preços

Um comércio de Valência que anuncia descontos para o 'black friday'
Um comércio de Valência que anuncia descontos para o 'black friday' (EFE)

Você sabe o que é black friday? Está pensando em aproveitar as ofertas para antecipar as compras natalinas? Quer você seja um caçador de pechinchas, quer seja um novato na black friday, para aproveitar essa bateria de ofertas – uma ideia importada dos Estados Unidos – há algumas coisas que você precisa levar em conta antes de se lançar às compras. A primeira: será mesmo que é um bom preço esse que te oferecem?

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A black friday é um dia de descontos, que no Brasil o comércio tradicional e pela Internet decidiu importar dos Estados Unidos. É uma tradição tão norte-americana que está ligada a uma de suas festas nacionais: é realizada na quarta sexta-feira de novembro, logo depois do Dia de Ação de Graças. Em resumo: são liquidações, mas antes do Natal, o que no Brasil não era muito comum.

As precauções básicas que você deve tomar são as mesmas que em qualquer período de liquidações: evite as compras por impulso e analise se a oferta vale a pena. Atenção: você não vai encontrar pechinchas em todas as partes. Em vez de descontos gerais, muitas lojas (tradicionais ou na Internet) optam por usar artigos-isca com descontos muito elevados para atrair compradores. Também lançam ofertas temporárias, que só duram duas ou três horas, ou até que acabem as unidades em promoção.

'Black friday' ou 'black fraude'?

As lojas querem chamar a sua atenção. Querem te deslumbrar com ofertas. São todas realmente um achado? Não. É preciso estar atento às letras miudinhas.

Preços que mudam. Para começar, as lojas fazem propaganda de produtos com preços em promoção e colocam ao lado o valor antigo (esse que normalmente deixam riscado), mas ninguém pode garantir que ainda assim seja uma boa oferta. Talvez o preço que colocam como referência (riscado) seja o preço original do artigo, mas acontece que já estava defasado havia meses. Ou talvez haja outra loja que aplique descontos melhores.

Foi precisamente numa polêmica como essa que se envolveu a Media Markt, loja de eletrônico europeia. No Twitter alguns compradores acusaram a rede de estar inflando os preços de alguns produtos, supostamente para depois abaixá-los na sexta-feira. A empresa, diante das perguntas de muitos compradores, afirmou na mesma rede social que os preços dos eletrônicos “flutuam” e que as mudanças não estão relacionadas com a black friday.

Mensagens no Twitter dirigidas à Media Markt.
Mensagens no Twitter dirigidas à Media Markt.

Ofertas incompatíveis. Outra coisa que requer vigilância é se duas ofertas são compatíveis entre si. Por exemplo: imagine que uma empresa vende filmes em DVD com uma promoção 2x1 (dois artigos ao preço de um). Ao mesmo tempo, põe todos os DVDs na black friday por 9,99 euros (39 reais). É possível que você não possa escolher ambas as ofertas ao mesmo tempo. E, talvez, se você for comprar dois, continua se interessando mais pelo 2x1. Faça as contas e não se deixe deslumbrar. O mesmo acontece com os cupons e os códigos de desconto: você tem de se certificar se são compatíveis ou não com outras ofertas, como as compras com frete grátis.

Artigos-isca, mas muito escassos. Muitas ofertas são somente para “unidades limitadas”. As lojas usam anúncios para atrair o consumidor para sua página na Internet ou loja. Mas, quando você chega, o produto costuma estar esgotado. E já que está lá, vale a pena comprar outra coisa? Não se deixe levar e certifique-se de que essa compra alternativa não é somente por impulso. Talvez seja melhor esperar as liquidações de janeiro ou procurar nos concorrentes. Pense com calma antes de pegar na carteira.

Cheques-presente em vez de descontos. Lembre-se de que um cheque-presente ou um desconto futuro não é a mesma coisa que um desconto direto no preço de venda. Há lojas que garantem descontar 50 euros em certos artigos, mas na realidade obrigam o comprador a pagar o preço completo do produto e lhes entregam um cheque com esse valor, que só pode ser usado nessa mesma loja, em outra compra e passado certo tempo. Ainda assim compensa? Depende. É preciso ver se essa é uma loja em que você terá interesse em gastar dinheiro no futuro.

Cuidado com os encargos extras. Especialmente se você compra pela Internet, certifique-se dos gastos extras embutidos no seu pedido. Por exemplo: despesas com frete ou se há taxas por pagamento com cartão de crédito. Se forem muito elevados, talvez arruínem a economia que você fará na compra. Tenha cuidado também com as páginas de Internet desconhecidas ou de países distantes: para receber o pedido você pode acabar tendo que pagar na aduana impostos com os quais não contava.

O melhor escudo contra as fraudes. Em geral, diante das possíveis armadilhas há uma arma que costuma ser infalível: pesquisar e comparar. A Internet permite que você saiba quanto valem os produtos em várias lojas, sem sair de casa. O ideal é que uns dias antes de se lançar às ofertas você faça uma lista dos objetos que te interessam e comprove os preços. Assim, na sexta-feira você saberá se é verdade que estará economizando dinheiro. Além disso, antes de comprar, compare vários sites. E lembre-se de que os seus direitos não mudam: se não ficou satisfeito, tem de poder devolver a compra.

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