ATENTADOS EM PARIS

Um morador de Saint-Denis: “Ouvi tiros e helicópteros de madrugada”

Policiais e militares ocupam a cidade, nos arredores do Stade de France

Moradores do bairro de Saint-Denis durante a operação antiterrorista. REUTERS / Thibault Camus (AP) (reuters_live)

O centro de Saint-Denis, cidade de 108.000 habitantes vizinha a Paris, conhecida por ser abrigar o Stade de France, está tomado por policiais e soldados armados. As lojas da rua principal estão todas fechadas, e as escolas também. Só se veem moradores na praça da Prefeitura, onde alguns – muitos deles retirados das suas casas por causa da operação policial em curso – estão concentrados à espera de notícias.

“Às 4h [1h em Brasília] comecei a ouvir helicópteros, tiros... Liguei a televisão e vi o que estava acontecendo. Não consegui mais dormir”, relatou Sissoko, um malinense de 60 anos que mora neste município desde 1978. Esta área fica a apenas 1,5 quilômetro do Stade de France, junto a cujos portões, na noite de sexta-feira, três terroristas se explodiram durante a partida França x Alemanha. A manhã de sábado foi muito diferente da desta quarta-feira: naquela ocasião, a rua comercial estava movimentada, como se nada tivesse acontecido na véspera. Agora, há um cordão policial, e o que mais se vê são jornalistas, policiais e soldados.

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Duas pessoas foram mortas e sete detidas na operação antiterrorista desta quarta-feira.

Um grupo de mulheres observa o que acontece no lado de fora do cordão de isolamento policial. Ledraa, de 49 anos, diz: “Sou muçulmana, uso lenço na cabeça e não faço mal a ninguém. Estes [os terroristas] se escondem atrás do Alahu akbar [Deus é grande]”. As moradoras comentam que despertaram com as explosões por volta de 4h. “Claro que temos medo”, diz uma. “Tudo o que está acontecendo é muito forte.” Uma delas relata que sua irmã está dentro do perímetro policial, e lhe disseram para não sair de casa.

Os moradores comentam que este é um bairro tranquilo, apesar de estar perto de uma banlieue, a periferia mais deprimida de Paris. Também não fica longe do local da próxima Cúpula do Clima, que começa em 30 de novembro.

"Vivo perto de onde está ocorrendo a invasão policial, mas o que mais me preocupa é que os jovens cheguem a um ponto que os leve a fazer isso”, diz Claude, um administrador de 59 anos, que aguarda, como outros moradores de Saint Denis, o desenlace da operação policial.