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Israel liberta em pleno deserto centenas de detidos ‘sem documentos’

Autoridades proíbem que africanos em busca de asilo viajem para Tel Aviv

Um imigrante africano espera um meio de transporte depois de ser libertado no Neguev, no sul de Israel.
Um imigrante africano espera um meio de transporte depois de ser libertado no Neguev, no sul de Israel. AFP

Israel começou a pôr em liberdade nesta terça-feira centenas de imigrantes africanos sem documentos que permaneciam havia mais de um ano no centro de detenção de estrangeiros em Holot, em pleno deserto do Neguev, no sul do país. O Supremo Tribunal ordenou sua libertação há duas semanas, depois de reduzir a 12 meses o prazo máximo de detenção, que pela Lei de Estrangeiros estava fixado em 20 meses.

Organizações humanitárias israelenses, como a Médicos pelos Direitos Humanos, denunciaram que os 750 sem-documentos que deixaram o centro de Holot não contaram com nenhum serviço de transporte organizado e tiveram de se dirigir caminhando até as raras paradas de ônibus nessa zona desértica. A mesma ONG também criticou a proibição de viajarem para as cidades de Tel Aviv e Eilat (na costa do Mar Vermelho), imposta aos recém-libertados. Trata-se das regiões de Israel com maior porcentual de imigrantes irregulares, onde contam com familiares, amigos e oportunidades de trabalho. Outros 428 internos sairão em liberdade na quarta-feira, quando vence o prazo dado pelo Supremo ao Governo israelense.

O Gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu adotou uma política linha-dura com os imigrantes sem documentos e em busca de asilo, aos quais costuma chamar de “infiltrados”. As Nações Unidas registraram 53.000 pessoas sem documentos em Israel, das quais 36.000 procedem da Eritreia e outras 14.000 do Sudão. Somente alguns poucos recebem asilo político e a maioria acaba sendo expulsa do país através da península do Sinai.

Três dos cristãos assassinados pelo Estado Islâmico em abril em uma praia da Líbia eram eritreus que tinham sido deportados de Israel, segundo grupos humanitários que os identificaram em um vídeo. Eles pretendiam viajar para a Europa a partir de um país do norte-africano.

Os detidos que saíram do centro para estrangeiros de Holot deixam de receber atenção médica e os 600 shekels (cerca de 600 reais) mensais que lhes dava a Administração israelense. A partir de quarta-feira somente permanecerão em suas instalações 550 sem-documentos, mas o Governo já anunciou que milhares de indocumentados que se concentram nos distritos do sul de Tel-Aviv vão ser internados ali.

O prefeito da cidade de Arad, a mais próxima do centro de detenção de Holot, ordenou à polícia municipal que se posicionasse nos acessos a essa localidade para impedir a entrada dos estrangeiros que acabam de ser libertados, segundo informou o jornal Haaretz. O prefeito Nisan Bem Hamo responsabilizou o Ministério do Interior pela situação, ao proibir que os imigrantes se dirijam a Tel Aviv ou Eilat. “Vão acabar instalando-se nas cidades do sul, já que não foi organizado nenhum serviço de transporte para eles e não têm para onde ir. Em Arad já estão vivendo no momento centenas de pessoas em busca de asilo”, explicou o prefeito em sua página no Facebook.

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