Tensão na Venezuela

Nicolás Maduro: “Eu salvei a vida de Leopoldo López”

Presidente venezuelano afirma que impediu o assassinato do opositor

Nicolás Maduro, em um ato no último dia 15.
Nicolás Maduro, em um ato no último dia 15. (EFE)

“Eu salvei a vida de Leopoldo López”. A afirmação, paradoxal já que Leopoldo López, ex-prefeito do município de Chacao em Caracas e líder oposicionista ao regime chavista, está há 18 meses detido em uma prisão militar enquanto enfrenta um julgamento manipulado pelo Poder Executivo, foi feita na noite de quarta-feira pelo presidente venezuelano Nicolás Maduro, durante seu programa semana de televisão, Em Contato com Maduro.

Boa parte do programa, que durou quase quatro horas, foi dedicado ao esforço de Maduro em sustentar sua acusação de que a oposição venezuelana, “a direita esfarrapada”, teria criado unidades paramilitares, tramando ações com setores do crime organizado venezuelano e forças subversivas colombianas para desestabilizar o regime revolucionário instaurado por Hugo Chávez.

Como prova de sua alegação, Maduro apresentou um vídeo no qual José Pérez Venta, autor material do esquartejamento de uma mulher há quase duas semanas em Caracas, confessa diante das câmeras e um interrogador da polícia que recebeu dinheiro e instruções diretas de destacados dirigentes da oposição local, como o mesmo López, María Corina Machado e Henrique Capriles Radonski, assim como de líderes colombianos, nomeando o ex-presidente Álvaro Uribe Vélez e o ex-candidato presidencial Óscar Iván Zuluaga.

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Em seu relato, o sucessor de Hugo Chávez disse que durante os interrogatórios Pérez Venta admitiu que sua quadrilha recebeu a proposta de atentar contra a vida de López. O Governo soube na época – fevereiro de 2014, em plena ebulição das chamadas guarimbas (distúrbios de rua) e quando já existia uma ordem de prisão contra o chefe do partido Vontade Popular (VP) – que algo estava sendo planejado contra López “para deixar cegos de raiva milhares de seguidores da oposição para criar um clima de caos”, recapitulou Maduro, “mas não sabíamos que era esse bando”.

Por isso, o presidente venezuelano ordenou na época a Diosdado Cabello, segundo homem na hierarquia do chavismo e presidente da Assembleia Nacional, que conversasse com a família de López. “Felizmente a sensatez prevaleceu e López se entregou”, prosseguiu o presidente.

Entretanto, ainda durante a entrega controlada de López às autoridades militares, em 18 de fevereiro de 2014, durante um ato público na praça Brión, em Caracas – e sempre segundo o relato de Maduro –, havia pistoleiros à espreita para tentar assassiná-lo. “López suplicava ao general Justo Noguera Pietri que o levasse rápido, para que não o matassem”, disse Maduro, em referência ao então chefe da Guarda Nacional encarregado da operação.

O presidente afirmou ainda que tem em seu poder uma gravação na qual um líder oposicionista ordena que López seja assassinado. “Chegará o momento histórico adequado para que o Poder Judicial e a opinião pública tomem conhecimento”, afirmou Maduro.

Lilian Tintori, esposa do líder oposicionista detido, afirmou ser “absolutamente falso” o relato de Maduro, acrescentando que “ninguém ia matar” o marido dela.

Quase simultaneamente ao breve discurso do mandatário venezuelano, o canal CNN em Espanhol divulgava um vídeo, gravado há 10 meses na prisão militar de Ramo Verde, na periferia de Caracas, em que Leopoldo López e Daniel Ceballos – ex-prefeito de San Cristóbal (Estado de Táchira) recentemente colocado em prisão domiciliar – combinam aos gritos, entre as grades das suas respectivas celas, um protesto contra as autoridades carcerárias.

LÓPEZ E CEBALLOS CONVERSAM EM SUAS CELAS. Um vídeo difundido pela CNN mostra os dois opositores organizando um protesto

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