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Standard & Poors altera nota de risco do Brasil com incertezas da Lava Jato

A agência alterou a perspectiva da nota de crédito do Brasil de estável para negativa

A presidenta Dilma Rousseff nesta terça.
A presidenta Dilma Rousseff nesta terça. AFP

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s alterou a perspectiva da nota de crédito do Brasil de estável para negativa, embora mantenha o grau de investimento do país, uma espécie de selo de 'bom pagador'. A atual nota 'BBB-' é o último degrau antes de perder esse selo, uma chancela de credibilidade para investidores interessados no país. Ao anunciar a perspectiva negativa, a agência sinaliza que poderá reduzir a nota no curto prazo, e aí sim o Brasil perderia esse grau de investimento, conquistado em 2008, e que ajudou a multiplicar a entrada de capital estrangeiro desde então.

A mudança anunciada nesta terça confirmou os temores do Governo que já vislumbrava um rebaixamento de sua classificação após o anúncio, na semana passada, da redução da meta do superávit primário para este ano. De acordo com a agência, o número de investigações de corrupção entre políticos e empresas tem um peso cada vez maior nas perspectivas fiscais e econômicas do Brasil, colocando em risco a implementação do ajuste, particularmente, no Congresso.

A S&P afirmou, em comunicado, que o Brasil enfrenta circunstâncias políticas e econômicas desafiadoras, ainda que a agência considere que, durante o segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff, houve uma importante correção política. “Desde 23 de março de 2015, quando reafirmamos pela última vez os ratings do Brasil, os riscos de rebaixamento aumentaram. Alteramos a perspectiva para 'negativa', pois, apesar das amplas alterações nas políticas em curso, as quais acreditamos continuam recebendo o suporte da presidenta, os riscos de execução aumentaram”, disse o comunicado. A nota destacou ainda que os riscos atuais têm suas origens tanto no front político quanto econômico.

A agência indicou ainda que a perspectiva negativa reflete a visão da S&P de que há uma chance em três de que a "desafiadora correção da política atualmente em andamento” venha a  enfrentar um novo deslize dado o contexto atual. “A restauração de uma trajetória de crescimento mais firme será prolongada", conclui.

A Bolsa de Valores de São Paulo reagiu mal, logo após a mudança da nota do Brasil. A Bovespa reduziu a alta quase pela metade após o anúncio da S&P. Às 15h, o Ibovespa mostrava volatilidade, com alta de 1,23%. O dólar também disparou e chegou a ser cotado a 3,48 reais.

Em abril, a Fitch também decidiu alterar a perspectiva da nota brasileira para negativa, embora tenha mantido o grau de investimento.

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