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Lorde britânico renuncia após vídeo em que cheira cocaína com prostitutas

Gravação foi publicada pelo tabloide 'The Sun' neste domingo

Lord John Sewel.
Lord John Sewel. ap

Quando o lorde britânico John Sewel pediu às prostitutas com as quais consumiu cocaína e dividiu roupas íntimas e confidências que o levassem para o “mau caminho”, provavelmente não se referia a isso. Também não sabia que aquele encontro estava sendo gravado, nem que iria desencadear uma investigação policial e custar-lhe nesta segunda-feira sua vice-presidência da Câmara dos Lordes e seu posto à frente da comissão sobre “conduta e privilégios” dos lordes pelo qual recebia 84.525 libras (440.636 reais) por ano. Hoje, terça-feira, em uma carta ao Parlamento, Sewel finalmente comunicou sua decisão de abandonar o seu posto para "limitar o dano" a reputação da Câmara não eleita, e se desculpou pela "dor e vergonha" que seu comportamento causou. "Espero que minha decisão limite e ajude a recuperar o dano que causei a uma instituição pela qual sinto grande afeto", acrescentou.

O jornal The Sun divulgou no domingo fotografias de Sewel cheirando carreiras de cocaína em cima de uma mesa, com uma nota de cinco libras, e dos seios de uma prostituta. As gravações, segundo o tabloide, ocorreram no apartamento de Sewel em Dolphine Square, próximo ao Parlamento. Na manhã de segunda-feira, o jornal sensacionalista mostrou mais material no qual se vê o lorde, de 69 anos, vestido com um sutiã laranja e uma jaqueta de couro negro com tachinhas, e é possível ouvi-lo criticando diversos políticos, incluindo o primeiro-ministro.

David Cameron, diz Sewel, “é o primeiro-ministro mais simples e superficial que já existiu”. Boris Johnson, o prefeito de Londres, é “uma enganação” e “um bobo de classe alta e colégio particular”. Alex Salmond, deputado do SNP, “um imbecil e pomposo estúpido”. Tony Blair, em cujo Governo o próprio Sewel trabalhou, decidiu entrar na guerra do Iraque porque “se apaixonou por George Bush”. E a batalha pela liderança no Partido Trabalhista, através do qual foi designado como lorde antes de agir como independente, é um “trabalhinho de quinta categoria”.

Sewel, que não comentou publicamente as imagens, renunciou na segunda a seu cargo de vice-presidente da Câmara alta e de presidente da comissão de conduta e privilégios, e foi suspenso da militância do Partido Trabalhista. A presidenta da Câmara, a baronesa Frances D’Souza, condenou o comportamento de Sewel, que chamou de “escandaloso e inaceitável”. Pediu a intervenção policial e uma investigação interna para determinar se os atos protagonizados por Sewel infringem o regimento parlamentar.

Sewel poderia ter se transformado no primeiro lorde a ser obrigado a abandonar sua cadeira vitalícia por conta de uma lei introduzida em março que ele mesmo impulsionou. A lei permite vetar os lordes do Parlamento se quebrarem o código de conduta, que estabelece que os membros da Câmara não eleita devem “agir sempre de acordo com sua honra pessoal”.

Nesta terça, Sewel finalmente abandonou sua cadeira no Parlamento. Com 69 anos, casado e pai de quatro filhos, deixa sua cadeira mas conservará o título de lorde, concedido em 1996 pelo ex primeiro-ministro trabalhista Tony Blair.