reforma ministerial

Cem dias tumultuados de segundo mandato, e uma semana ainda pior

Ratos em CPI são detalhe após Governo do PT deixar passar projeto "contra trabalhadores"

Uma comitiva de hamsters, esquilos-da-mongólia e camundongos compareceu na manhã desta quinta-feira à audiência da CPI da Petrobras convocada para ouvir o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. A exemplo de alguns dos convocados a prestar esclarecimentos sobre desvios na maior estatal do país, os bichinhos não responderam a perguntas dos parlamentares, mas seu protesto (ou seja lá o que foram fazer no plenário) causou comoção.

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Mesmo calados e por apenas alguns minutos na sala, os roedores conseguiram causar mais estrago (pelo menos efetivo) que o revelador depoimento do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, pois levaram à demissão do servidor da Câmara Márcio Martins de Oliveira, responsável por soltá-los no recinto — Oliveira também entrou e saiu calado. E, apesar do barulho, a passagem dos camundongos pelo Congresso Nacional não foi o fato mais surpreendente da semana em que a presidente Dilma Rousseff completa 100 dias de segundo mandato.

Na terça-feira, após uma série sem precedentes, no melhor estilo “nunca antes na história deste país”, de derrotas no Congresso Nacional, a presidenta Dilma Rousseff entregou ao seu vice, Michel Temer, a articulação política de seu Governo. Dois dias depois, Temer se reuniu com o antecessor de Dilma e ouviu do ex-presidente Lula o que poderia ter ouvido de um presidente em exercício: "Delicadamente, ele disse que talvez eu me saia bem".

Como a condução econômica do Palácio do Planalto já havia sido entregue ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sobrou à presidenta tempo para demitir por duas vez em poucas horas, na quarta-feira, o ministro Pepe Vargas. O petista assume a Secretaria de Direitos Humanos após uma constrangedora coletiva de imprensa e é o quinto ministro a trocar de cargo após Dilma negar a intenção de conduzir uma reforma ministerial.

Enquanto isso, no Congresso Nacional, a base de um Governo comandado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) aprovava, em peso, um projeto de lei que, segundo os próprios parlamentares do PT, retira direitos dos trabalhadores. A maior preocupação do ministro da Fazenda desse mesmo Governo, contudo, é garantir que a regulamentação da terceirização não reduza a arrecadação dos cofres públicos e, como consequência, prejudique o ajuste fiscal de um Governo que gastou demais. Ou seja, os ratos são um detalhe.