Deus deixou de ser brasileiro?

Fazia muitos anos, segundo os especialistas, que o Brasil não passava por uma conjuntura tão negativa

Desde sexta-feira à noite parece que os astros confabularam contra o “país maravilha”, e que Deus deixou de ser brasileiro, já que, além da crise econômica que assola a nação onde tudo aumenta — recessão, inflação, taxas de juros mais altas do mundo, déficit fiscal e comercial, divórcio entre Governo e Congresso —, adiciona-se agora, oficialmente, o terremoto do Petrolão.

O relator do maior escândalo de corrupção política e corporativa na história do país, o juiz do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, autorizou a investigação de 49 políticos de seis partidos, do Governo e da oposição, supostamente envolvidos no escândalo da Petrobras. Entre eles, nomes de peso do mundo político, até então estrelas do Congresso, de governos federais e estaduais.

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Há muitos anos, segundo especialistas, que o Brasil não passava por uma série tão extensa de fatos negativos. Isso pode colocar em risco o atual equilíbrio político, e não deixará de ter um forte impacto nas ruas.

A situação política brasileira está tão tensa que, segundo o jornal Folha de S. Paulo, há rumores de que a presidenta Dilma Rousseff, cada vez mais fragilizada e pressionada no Congresso, estaria avaliando a possibilidade de tentar um pacto político que incluiria até o maior partido de oposição, o PSDB, eterno adversário do PT, legenda de Dilma, e que também parece envolvido no escândalo da Petrobras, na figura de um de seus senadores de peso, Antonio Anastasia, ex-governador do importante Estado de Minas Gerais.

Tudo isso, com certeza, para que o Governo tente sair do ringue no qual se encontra contra as cordas, num beco do qual por enquanto não se enxerga uma saída, enquanto a sociedade anuncia uma manifestação nacional para o dia 15 de março, para exigir a saída de Dilma.

Antes, no dia 13, para complicar ainda mais a situação política já tão emaranhada, os sindicatos que apoiam o Governo pretendem levar seus ativistas às ruas contra as medidas de austeridade fiscal e redução de direitos trabalhistas que o Governo prepara para colocar em ordem suas despesas sobrecarregadas.

Ainda é cedo para poder medir o impacto que essa lista de 49 políticos de seis partidos que deverão ser investigados pelo escândalo do Petrolão terá sobre uma opinião pública já esmagada e irritada com a crise econômica, e perplexa diante de uma crise política de tal magnitude.

Na própria sexta-feira à noite, nos noticiários e nas redes sociais, a revelação dos nomes dos políticos envolvidos obteve os maiores índices de audiência.

Talvez a única notícia positiva em meio ao desastre político seja esse interesse da opinião pública brasileira, tantas vezes acusada de excessiva passividade diante dos escândalos de corrupção.

Essa reação positiva dos cidadãos comuns e a demonstração dada pela Procuradoria-Geral e pelo Supremo, de que os poderes do Estado mantêm sua independência e autonomia, poderiam resultar numa luz no fim do túnel e numa esperança de que as coisas precisam mudar.

De que forma, ninguém é capaz de imaginar por enquanto. Sem dúvida, o país terá que passar por uma séria transformação, capaz de superar o terremoto político e econômico que o oprime, se não quiser continuar escorregando em direção ao abismo que se abriu diante de seus pés.

A última esperança é que os cidadãos de bem, os que ainda não sujaram as mãos e continuam apostando apesar de tudo nos valores da democracia, especialmente os jovens, aos quais o futuro pertence por direito e biologia, não pareçam dispostos a permitir que Deus deixe de ser brasileiro.

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