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Prefeito de Caracas é indiciado por conspirar contra Governo Maduro

Ledezma poderia ser condenado a até oito anos de prisão. Oposição cobra evidências

Manifestação contra a prisão de Ledezma, na sexta-feira, em Caracas. Ampliar foto
Manifestação contra a prisão de Ledezma, na sexta-feira, em Caracas. EFE

Desde sexta-feira, o líder opositor venezuelano Leopoldo López tem como companheiro na prisão militar de Ramo Verde, localizada nos arredores de Caracas, o prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma. O tribunal 6 de controle, responsável pelo caso, aceitou as duas denúncias apresentadas pelo Ministério Público e decidiu que o político permanecerá detido enquanto o Estado venezuelano termina de formular a acusação, para o que possui prazo de um mês e meio, e para que seja decidido se ele enfrentará julgamento ou não.

Ledezma foi acusado de conspiração, crime com pena de prisão de oito a 16 anos, e associação para o crime, com pena de entre três e seis anos. Seus advogados vão esperar a publicação da decisão para recorrer, mas já se sabe desde já que são quase inexistentes as possibilidades de que fique em liberdade. Nos casos politicamente sensíveis para o regime chavista, o Poder Judiciário age de acordo com os interesses do Executivo. Analistas políticos advertiram que, diante da drástica queda de sua popularidade e da falta de liderança, só restou ao presidente Nicolás Maduro reprimir seus adversários para dar a entender que é um homem forte.

Leopoldo López se manifestou nesse mesmo sentido em sua conta no Twitter. Sua mulher, Lilian Tintori, publicou algumas mensagens em nome dele nas quais o ex-prefeito de Chacao afirma que "a mudança se aproxima" e que "a ditadura está completamente nua". "Só lhes resta reprimir para se manter no poder". E também teve palavras para Ledezma: "Irmão, o aprisionamento físico não vai deter nosso espírito de luta".

O entorno de López tem feito agradecimentos à solidariedade da comunidade internacional, e pediu a todos que sigam acompanhando a situação de Ledezma. Em poucas horas durante a tarde de sexta-feira, a oposição em peso cerrou fileiras em torno de sua causa. O ex-candidato presidencial Henrique Capriles assumiu a liderança em uma entrevista coletiva com veículos de comunicação nacionais e internacionais. "Exijo que sejam apresentadas as provas do suposto golpe de Estado denunciado pelo Governo [de Maduro]".

Os advogados preveem que são quase inexistentes as possibilidades de que fique em liberdade

A denúncia de Capriles aponta para apenas uma das explicações para a prisão de Ledezma. Na verdade, a opinião pública não sabe claramente se Ledezma foi levado aos tribunais por apoiar a deposição do Governo, várias vezes denunciada por Maduro, ou por outro crime relacionado com dezenas de casos pendentes que líderes estundatis têm com a Justiça chavista. O Ministério Público afirmou que o prefeito está relacionado com um plano para atacar edifícios públicos na cidade andina de San Cristóbal, que em 2014 foi o epicentro dos protestos mais violentos contra o regime.

Enquanto a facção opositora liderada por López, Ledezma e a ex-deputada María Corina Machado queria transformar a ação contra o prefeito em motivo para ganhar mais adeptos para sua causa, a ala mais preocupada em ganhar eleições do que com os protestos nas ruas seguiu trabalhando nesta direção. Jesús Torrealba, secretário-executivo da Mesa da Unidade, a coalizão de partidos políticos de oposição ao Governo, anunciou que as eleições primárias para eleger candidatos de consenso para a Assembleia Nacional serão realizadas no segundo semestre deste ano. Foi uma forma de dizer ao Governo, com fatos, que a perseguição contra os líderes de oposição não os fará se desviar do caminho que escolheram. Todos eles estão convencidos de que podem impor ao regime uma derrota para, a partir daí, iniciar uma mudança de modelo econômico e político.