Morre aos 83 anos a atriz Anita Ekberg, musa de Federico Fellini

Atriz protagonizou a célebre cena do banho na Fontana de Trevi em ‘A Doce Vida’

Marcello Mastroianni e Anita Ekberg em 'A Doce Vida'.
Marcello Mastroianni e Anita Ekberg em 'A Doce Vida'. (AFP)

Diante da notícia da morte da atriz Anita Ekberg, ocorrida em uma clínica a 30 quilômetros ao sul de Roma, aos 83 anos, é inevitável que todos relembrem a cena de A Doce Vida, de Federico Fellini, na qual a atriz toma banho na Fontada de Trevi convidando Marcello Mastroianni a se juntar a ela. Com seus ombros e costas nus e um leve vestido preto, tornou-se a imagem do erotismo e da liberdade sexual, não apenas na Itália de 1959. Dois anos depois, Fellini voltaria a expor seu busto esplêndido e pernas não menos charmosas em As Tentações do Doutor Antônio, fragmento do filme Bocaccio 70, no qual o reprimido Peppino de Filippo enlouquecia de amor diante de uma provocadora imagem da atriz, “com todos os seus atributos maternos expostos ao sol, as pernas nuas, enormes, e uma expressão selvagem em seu rosto”, que tinham colocado em frente a sua casa. Jerry Lewis também se tornou Louco por Anita (1956) no filme de mesmo nome. Ekberg fascinava todo mundo.

Desde muito jovem chamou atenção por seu físico. Foi Miss Suécia em 1950, onde nascera 19 anos antes. Graças a esse prêmio e por ter sido candidata ao Miss Universo, viajou para os Estados Unidos, onde foi rapidamente contratada por Howard Hughes, multimilionário conhecido também por sua paixão pelas estrelas de cinema, que em várias ocasiões ele mesmo ajudava a formar. Martin Scorsese recriou parte de sua vida em O Aviador, em 2004. Howard Hughes fez assim também com Ekberg, a aconselhando a melhorar seu aspecto ou a obrigando a fazer aulas de especialidades distintas, ainda que as de arte dramática nunca tenham sido do agrado da jovem.

Após participar de alguns filmes de pouco destaque ou em papéis secundários –Abbot e Costello Vão para Marte, A Espada de Damasco, Rota Sangrenta, Guerra e paz... – Anita Ekberg (nascida Kerstin Anita Marianne Ekberg) foi presença frequente nas capas de revistas. Sua popularidade não crescia tanto por seus dotes para a interpretação, sempre duvidosas mesmo que, em algumas ocasiões, tivessem toques de humor, mas sim por sua inquestionável beleza e a ligeireza em seu comportamento sexual, que surpreendia em uma sociedade rígorosa.

Recebeu um Globo de Ouro como estrela emergente em 1956, ano em que conseguiu seu primeiro papel de protagonista em De Volta da Eternidade, junto com Robert Ryan. Mas não foi o suficiente para transformá-la em atriz, carreira em que seguia tropeçando... até que cruzou em seu caminho com Federico Fellini em A Doce Vida. O sucesso internacional deste filme a consolidou como símbolo sexual e, apesar de ter sido solicitada por vários cineastas a partir de então, seu trabalho se concentrou quase que exclusivamente no cinema italiano.

Infelizmente não voltou a atuar em grandes filmes a não ser os de Fellini Entrevista (1987), em que fazia o papel de si mesma, foi o último deles—. Sua glória foi se apagando com o tempo, mas a lembrança de seu banho noturno em A Doce Vida se mantém viva em nossa memória e na história do cinema.

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