Diretor da CIA: “Não havia respostas fáceis” contra o terrorismo

John Brennan diz que a agência “fez muitas coisas corretamente” após o 11 de setembro

Brennan, na coletiva de imprensa desta quinta-feira.
Brennan, na coletiva de imprensa desta quinta-feira.LARRY DOWNING (Reuters)

A CIA iniciou nesta quinta-feira uma contraofensiva depois que o relatório do Senado dos Estados Unidos sobre o seu programa de detenção e interrogatório de suspeitos de terrorismo ameaçou danificar sua credibilidade. O documento do Comitê de Inteligência da Câmara Alta revela uma agência pouco preparada e disfuncional após os atentados de 11 de Setembro, em 2001. Durante o programa –que aconteceu entre 2002 e 2007—, afirma o relatório, a CIA não sabia exatamente quantos detidos tinha em suas mãos, ocultou informação ao Departamento de Justiça e à Casa Branca, e as torturas consideradas como Técnicas Reforçadas de Interrogatório não proporcionaram informações de inteligência úteis.

Em uma entrevista coletiva pouco comum na sede da CIA, nos arredores de Washington, o atual diretor da Agência Central de Inteligência, John Brennan, admitiu erros e abusos no polêmico programa de interrogatório, mas evitou classificá-los como tortura, os limitou a um pequeno grupo de oficiais, e rejeitou boa parte das conclusões do relatório do Senado. “A maioria esmagadora de oficiais envolvidos no programa levou a cabo sua responsabilidade de acordo com as diretrizes legais proporcionadas. Fizeram o que tinham que fazer a serviço da nossa nação”, afirmou Brennan, no cargo desde 2013, com mais de três décadas de experiência na CIA, e uma pessoa próxima do presidente norte-americano, Barack Obama.

Brennan iniciou sua aparição com uma descrição dos atentados de 11 de setembro de 2001, que provocaram cerca de três mil mortes em Nova York, Washington e Pensilvânia. “Não apenas nossas consciências foram impactadas, mas nosso sentido de segurança nacional foi destruído”, disse a maior autoridade do serviço de inteligência, que, à época, era chefe de gabinete do diretor da CIA. Naquele momento, continuou, a CIA buscava respostas para “parar” a Al Qaeda e evitar novos atentados. Foi nesse contexto, seis dias depois dos atentados, que o então presidente dos EUA, George W. Bush, autorizou a agência a prender secretamente suspeitos de terrorismo.

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Brennan fez a mea culpa pelos abusos cometidos por alguns trabalhadores dos centros de interrogatório, mas os limitou a um pequeno grupo. Durante o programa, diz o relatório, a CIA ocultou informação ao Departamento de Justiça e à Casa Branca, e as torturas consideradas como Técnicas Reforçadas de Interrogatório não proporcionaram informações de inteligência úteis. Brennan convocou esse comparecimento incomum, apenas dois dias depois da divulgação do documento, para defender o trabalho do serviço de espionagem externa dos EUA.

Brennan admitiu nesta semana os equívocos da agência, mas criticou as principais conclusões da investigação do Senado. Disse que a CIA cometeu “erros”, especialmente no início do programa, e que não cumpriu com seus “altos padrões”. Mas destacou que a CIA aprendeu com esses erros, e que os métodos de interrogatório “ajudaram a abortar planos de ataque, capturar terroristas e salvar vidas”.

Por exemplo, o relatório do Senado afirma que a “imensa maioria” das informações usadas para encontrar a pessoa que levou os EUA a conhecerem o paradeiro do antigo líder da Al Qaeda Osama bin Laden e a executá-lo, em 2011, não foi obtida por meio das técnicas de interrogatório. Por outro lado, em sua resposta ao documento, a CIA alega que as técnicas permitiram à agência identificar corretamente o mensageiro que a levou a Bin Laden.

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