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Candidatos se chamam de levianos e acirram os ânimos na campanha

Acusações entre Aécio e Dilma ocorreram no primeiro debate do segundo turno

Dilma e Aécio no primeiro debate do segundo turno.
Dilma e Aécio no primeiro debate do segundo turno. AP

Os ataques que vêm acontecendo nas propagandas no rádio e na televisão nos últimos dias se reproduziram no debate entre os presidenciáveis na noite desta terça-feira. A candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), disse que Aécio Neves (PSDB) mentia ao expor os dados de sua administração como governador de Minas Gerais (2003-2010). E ouviu o mesmo de seu adversário, com relação ao plano federal. Leviandade, mentira, faltar com a verdade foram algumas das palavras mais utilizadas pelos rivais no debate promovido pela Band.

Em dado momento, Dilma apresentou uma proposta ao tucano: “Proponho que paremos de discutir quem está mentindo”. Mais tarde, Aécio deixou claro que não aceitaria a sugestão. “A sua campanha é mentira atrás de mentira. Não pode ser o vale-tudo que a senhora transformou a campanha eleitoral”, disparou indignado ao ser acusado de nepotismo por empregar uma irmã e três tios no Governo.

A indignação de Dilma surgiu quando Aécio disse que o pai do programa Bolsa Família foi Fernando Henrique Cardoso (2003-2010) e a mãe, a ex-primeira-dama Ruth Cardoso. “Chegamos à fabulação, estamos no perigoso terreno da lenda”, respondeu Dilma defendendo que foi seu antecessor, Lula da Silva, quem criou o programa social.

Nos embates diretos, Dilma tentou usar a estratégia do retorno dos “fantasmas do passado” ao vincular Aécio à gestão do Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). As críticas dela foram principalmente com relação à economia e à gestão do Banco Central feita por Armínio Fraga, o eventual ministro da Fazenda de Aécio. Ela falou que a gestão FHC estourou o teto da inflação duas vezes. “Como o senhor quer que eu acredite que com a mesma receita, com o mesmo cozinheiro (Fraga) vão entregar algo diferente para o Brasil.” E ouviu como resposta que foi o governo da petista que não teve o controle da inflação.

Aécio fugiu da armadilha de comparar PT X PSDB. “Tire os olhos do retrovisor. Vamos falar do futuro”. E ainda elogiou a gestão do ex-presidente Lula da Silva (2003-2010), dizendo que ele aproveitou a bonança econômica do Plano Real e promoveu avanços sociais. “Mas o Brasil parou nos últimos quatro anos”.

Tentando se apresentar como a mudança nos rumos do país, o tucano disse que a atual campanha do segundo turno parece ter dois candidatos de oposição e não apenas um. “Quem vê sua campanha não acha que a senhora governo o Brasil por 12 anos”. Ao que Dilma respondeu: “Quem vê sua campanha parece que vocês são da situação. Suas propostas sociais são a continuidade do meu Governo”.

Ambos recorreram mais uma vez ao “discurso do medo”. Ela afirmou que os brasileiros temem o retorno da taxa de desemprego dos anos de FHC, enquanto ele, disse que a população tem medo de que o PT governe o país por mais quatro anos.

Petrobras e aeroporto

A corrupção não ficou de fora da discussão. Aécio trouxe ao debate a questão da crise na Petrobras, que estourou neste ano e, até as últimas apurações, ocorreram entre 2004 e 2012. “Acordamos a cada dia surpresos com novas denúncias”, afirmou o tucano.

A petista se defendeu dizendo que combate os corruptos e retrucou citando quatro casos ocorridos em governos do PSDB que não foram investigados e ninguém foi punido, segundo ela. Reforçou, ainda as suspeitas que pairam sobre a construção do aeroporto da cidade mineira de Cláudio, que foi financiado pela gestão tucana com dinheiro público na fazenda de um tio-avô de Aécio. Segundo o oposicionista, não houve irregularidades na construção do aeródromo.

As quase duas horas de debates acabaram de maneira parecida como começaram. Ambos sugeriram ser capazes de fazer o Brasil avançar social e economicamente. Aécio agradeceu o apoio da viúva de Eduardo Campos, Renata, e de Marina Silva, a candidata do PSB derrotada no primeiro turno, e afirmou ser ele a mudança verdadeira. Já Dilma declarou ser capaz de garantir os avanços sociais conquistados nos últimos anos. Quando questionados quem venceu o debate, ambos disseram que essa avaliação caberia ao eleitor.