Os republicanos criticam a “falta de estratégia” de Obama perante o avanço extremista no Iraque

A oposição apoia a autorização de ataques contra o Estado Islâmico, mas acusa o presidente de ter subestimado a ameaça jihadista

Obama informa ao rei da Jordânia sobre a situação no Iraque.
Obama informa ao rei da Jordânia sobre a situação no Iraque.AP

Não parece que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, irá ter problemas no Congresso por sua decisão de autorizar ataques limitados para frear o avanço extremista no Iraque. Mas, indo além do apoio de democratas e republicanos às ações pontuais anunciadas na noite da quinta-feira, a oposição conservadora não tardou a criticar o que considera uma “falta de estratégia” mais ampla do mandatário perante uma ameaça jihadista, que, conforme esse grupo, era previsível há muito tempo.

“A autorização do presidente para realizar ataques aéreos é apropriada, mas, como muitos norte-americanos, sinto-me consternado pela continuada ausência de uma estratégia para rebater a grave ameaça que o Estado Islâmico (EI) significa para a região”, disse nesta sexta-feira o líder republicano no Congresso, John Boehner, pouco depois de o Pentágono confirmar o início dos bombardeios aéreos contra posições jihadistas em Erbil.

Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, a Casa Branca “ignorou” as advertências que, de forma insistente, chegaram tanto de líderes iraquianos, como do Congresso em Washington “e até de membros de sua própria administração”. Já em junho, quando Obama anunciou o envio dos 300 primeiros assessores militares ao Iraque, Boehner tinha acusado o presidente de ficar de braços cruzados, “apesar de estarmos há um ano vendo como se deteriora a situação” no país.

“O presidente necessita de uma estratégia de longo prazo – uma que defina o sucesso como o cumprimento da nossa missão, não o de promessas políticas – e tem que construir o apoio necessário para mantê-la”, insistiu Boehner, prometendo seu respaldo se Obama apresentar um plano nesse sentido.

Essa postura é compartilhada pelos senadores republicanos John McCain e Lindsey Graham, duas das vozes mais autorizadas sobre a política externa na Câmara Alta norte-americana. Conforme deixaram claro em um comunicado conjunto emitido depois do anúncio de Obama, as ações ordenadas pelo presidente “estão longe de serem suficientes para rebater a crescente ameaça que o EI significa”.

“Necessitamos de uma visão estratégica, não só humanitária”, sublinharam os veteranos senadores, que insistiram na necessidade de fazer mais e de maneira urgente.

“Uma política de contenção não funcionará contra o EI”, sustentaram. O grupo jihadista sunita “é inerentemente expansionista” e por isso “será preciso contê-lo”.

“Quanto mais esperemos, pior será esta ameaça. Precisamos ir além de uma política de meias medidas”, disseram.

Mas aí radica o principal problema de Obama, um presidente que chegou à Casa Branca prometendo, entre outras coisas, que acabaria com as guerras do Afeganistão e Iraque, que tanto cansaram a população norte-americana. “Sou consciente de quantos [norte-americanos] sentem-se preocupados com uma ação militar no Iraque, inclusive com ataques limitados como estes”, reconheceu o presidente durante sua declaração de quinta-feira à noite na Casa Branca. E reiterou sua promessa de que não permitirá que o país se meta em uma nova guerra na região.

“Como comandante-em-chefe, não permitirei que os Estados Unidos se vejam arrastados a travar outra guerra no Iraque (…). As tropas de combate norte-americanas não vão voltar a combater no Iraque, porque não há uma solução militar norte-americana nesta crise”, salientou.

Os republicanos não se atrevem a responder exatamente até onde Obama deveria ir no Iraque, mas pleiteiam uma “revisão” da política para a região.

“Se houve um momento em que foi preciso revisar nossa desastrosa política no Oriente Médio é este”, afirmaram os senadores. “Devido à estratégia de afastamento do presidente, as ameaças na região cresceram e agora ameaçam diretamente os EUA”, advertiram.

Muitos republicanos consideram confusa a estratégia de Obama na Síria – ponto de origem dos jihadistas que agora ameaçam o Iraque – e apontam sua indecisão no cumprimento da ameaça de uma intervenção militar contra o regime de Bashar al Assad.

Agora, Obama “precisa se manter nesta luta”, exigiu nesta sexta-feira a congressista republicana Ileana Ros-Lehtinen, presidenta da Subcomissão de Relações Exteriores para o Oriente Médio da Câmara. “Temos que concluir isto, o EI é uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.”

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