Israel se preocupa com o suposto sequestro de um de seus soldados

Trata-se do tenente Hadar Goldin, de 23 anos, descendente de judeus emigrados do Reino Unido

O soldado Hadar Goldin, de 23 anos, supostamente capturado pelo Hamas.
O soldado Hadar Goldin, de 23 anos, supostamente capturado pelo Hamas.

Israel se mantém apreensivo frente à possível materialização de um de seus piores pesadelos: a captura de outro de seus soldados. O desaparecido é o tenente Hadar Goldin, de 23 anos, originário de Kfar Saba - no centro do país, a 20 minutos de Tel Aviv - e descendente de uma família de judeus emigrados do Reino Unido, segundo informou oficialmente o Exército. O jovem tinha se incorporado às fileiras poucas semanas antes da Operação Limite Protetor, concretamente na Brigada Givati, uma das mais renomadas e condecoradas do país. O Ministério de Relações Exteriores de Londres investiga se Goldin tem dupla nacionalidade, britânica e israelense.

Seu pai, Simcha Goldin, especialista em História do Judaísmo da Universidade de Tel Aviv e responsável pelo Centro de Investigação da Diáspora, falou nesta sexta-feira com os meios de comunicação na porta de sua casa para, com integridade, mandar sua “força ao Exército e ao Estado de Israel” e mostrar em público sua confiança de que “não irão parar até revisar cada pedra para encontrar Hadar”. O tenente tem mais três irmãos, um deles gêmeo, igualmente alistado em uma unidade de elite. A sua família é parente distante do atual ministro de Defesa, o conservador Moshe Yaalon. Segundo contou um de seus amigos à Rádio Israel, são “religiosos ortodoxos modernos”. Hadar aparece com o tradicional quipá nas fotos distribuídas à imprensa e manifestou, diz seu amigo, uma “intensa inclinação” à leitura religiosa e à meditação. Seus dois avôs foram sobreviventes do Holocausto e combatentes na guerra de 1948, posterior à criação do Estado de Israel.

Seu caso lembra o do sargento Gilad Shalit, mantido cativo durante cinco anos pelo braço armado do Hamas e dos Comitês de Resistência Popular de Gaza. Três dias depois de sua captura, Israel lançou a Operação Chuvas de Verão, que não conseguiu encontrá-lo e deixou mais de 400 mortos na Faixa. Finalmente, no outono de 2011, Gilad foi trocado por 1.027 presos palestinos. Mas as circunstâncias foram muito diferentes. Na época não estava acontecendo uma operação, por isso, falou-se diretamente de sequestro, e houve flexibilidade no Gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para conceder uma libertação tão numerosa, uma medida dolorosa para grande parte do país.

Agora, com uma operação em curso, a incógnita é até onde Israel estará disposto a avançar para encontrar seu tenente, já que os elementos mais à direita do Governo não parecem dispostos a permitir uma troca de presos. No último 22 de julho, Israel deu como desaparecido outro soldado, Oron Shaul, de 20 anos. Foi surpreendido por milicianos do Hamas quando estava em seu blindado e seus seis companheiros morreram. Finalmente, as autoridades também o consideraram falecido, apesar de seus restos nunca apareceram e o Hamas apresentar publicamente seus documentos, alegando que ele estava em seu poder.

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