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Uma criança de quatro anos morre durante uma operação militar no Rio

Os vizinhos indignados de Costa Barros, na zona norte, fecharam a Estrada de Botafogo

Policiais em Copacabana, zona sul do Rio.
Policiais em Copacabana, zona sul do Rio. Getty

A transitada e turística zona sul do Rio de Janeiro está mais segura que nunca durante a 'Copa das Copas': a presença policial é massiva e é frequente ver visitantes tirando fotos com os agentes fortemente armados da Polícia Militar. A situação da zona norte é muito diferente e algumas favelas supostamente pacificadas, o Rio menos visitado, onde praticamente não há uma noite sem tiroteios e conflitos entre unidades policiais e grupos de traficantes. Em uma dessas operações, executada na manhã de quarta-feira no Morro da Quitanda, parte do conjunto de favelas Chapadão, na região de Costa Barros (a meia hora do estádio Maracanã), um menino de quatro anos morreu durante uma "troca de tiros entre bandidos e policiais do Batalhão 41 (Irajá)", segundo informou a própria Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), que não esclareceu qual era o objetivo da operação nem de qual arma foi disparada a bala homicida.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que o menino já foi atendido morto, com uma bala na cabeça e o rosto destruído, na Unidade de Atenção Sanitária Rápida Local (UPA) às 9h45 da manhã. Seu nome era Luiz Felipe Rangel Bento e recebeu o tiro enquanto estava na cama dormindo, em sua casa com sua mãe.

Os vizinhos da zona reagiram à morte do menino com indignação e fecharam a Estrada de Botafogo, em Costa Barros, além de depredar um ônibus municipal que fechou a rua, como uma barreira. A polícia reforçou sua presença na zona e conseguiu impedir o incêndio do veículo, mas uma manifestação espontânea de cerca de 300 pessoas, que surgiu no próprio bairro uma hora depois da morte do menor, obrigou as estações finais de metrô e trem a fecharem entre 11h00 e 14h00. Outras duas pessoas ficaram feridas por tiros esta manhã na mesma zona, segundo informou O Globo. Cláudio Renato da Silva, que levou um tiro de raspão no abdômen, e Mirela Bernaldo, de 14 anos, que foi ferida em uma das coxas. Os dois tiveram alta na mesma UPA onde minutos antes havia entrado o cadáver do pequeno Luiz Felipe.