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A greve de taxistas deixa Madri sem serviço e complica o tráfego em Barcelona

Os sindicatos do setor afirmam que a adesão à paralisação é total

A greve contra a intrusão no setor tirou os táxis das ruas de Madri e complicou o trânsito em Barcelona. Os dois principais sindicatos dizem que até o momento houve 100% de adesão à greve de 24 horas convocada para esta quarta-feira a fim de denunciar o funcionamento de serviços como o Uber, que permite localizar através de um aplicativo de celular motoristas dispostos a se passarem por taxistas, embora não tenham licença para a atividade.

No aeroporto madrilenho de Barajas, o ponto de táxi está vazio desde as primeiras horas da manhã. Os passageiros que chegam aos terminais estão usando principalmente ônibus para se deslocar até o centro de Madri. Há nove ônibus em circulação em vez dos habituais seis e não há grandes filas. O resto das operações de ônibus não foi reforçado devido à baixa utilização de táxis, ao contrário de quando há greve de metrô.

A situação na estação ferroviária de Atocha também é semelhante à de Barajas. Não há um só táxi estacionado e os viajantes optam pelos ônibus e o metrô. Entre as 8h e 10h30 da manhã, as plataformas do metrô estavam cheias, mas a situação foi se normalizando depois. A área dos táxis está fechada com uma corrente e há apenas alguns carros particulares estacionados lá. Os passageiros estão sendo avisados pelo sistema de comunicação dos trens. Os turistas são os que estão sofrendo mais. Cinco japoneses desnorteados com sete malas enormes na plataforma do trem eram um exemplo disso.

Em Madri só funcionam um total de cem táxis que atendem aos serviços de diálise do Serviço de Urgência Médica de Madri e os casos de emergência.

Junto à greve, as organizações nacionais do setor convocaram uma manifestação que começou as 11h da manhã em Madri, da Praça de Cuzco até o Ministério do Desenvolvimento. O protesto causou congestionamentos na entrada norte da capital. Na Praça de Castilla, o tráfego estava totalmente parado logo após o início do movimento. No fim da caminhada, os motoristas de táxi entregarão um documento ao ministério pedindo a proibição do serviço Uber.

O presidente da União do Táxi e da Federação Espanhola do Táxi, Julio Moreno, garantiu que a adesão à greve era de 100%. O presidente da Federação do Táxi de Madri, Julio Sanz, explicou que foram distribuídos panfletos para os viajantes no aeroporto e nas principais estações da capital para que soubessem dos problemas enfrentados pelo setor diante da “concorrência desleal” do Uber.

Manifestação em Barcelona

Em Barcelona, a única cidade em que o Uber está atualmente operacional na Espanha, a categoria também convocou uma reunião no meio da manhã. Diante das pressões dos taxistas, o aplicativo anunciou promoções para os seus usuários que compartilhem o uso do carro, segundo Jordi Mumbrú.

Na capital catalã, apenas um sindicato, o Élite, havia convocado a greve, enquanto os demais só convocaram uma manifestação. Mas, no fim, era quase impossível encontrar um táxi em Barcelona, já que a maioria optou por não trabalhar. A caminhada começou às 11h na Praça Catalunha, no centro. O sindicato que convocou a greve, no entanto, se concentrou na Estação de Sants e o objetivo é terminar o protesto em frente à sede da empresa Uber, na avenida Diagonal.

A mobilização em Madri coincidiu com protestos em outras grandes cidades europeias como Londres, Paris, Milão, Nápoles e Berlim, entre outras. As manifestações, que chegaram a bloquear os acessos à capital francesa, foram convocadas pelos mesmos motivos: o surgimento de aplicativos de serviços de transporte. O caso mais controverso, do Uber, oferece serviços pagos, mas, segundo denunciam os taxistas, seus motoristas trabalham sem licença.

Kroes aconselha os taxistas a se adaptarem aos novos tempos

A responsável europeia pela Agenda Digital, Neelie Kroes, voltou a defender firmemente a economia colaborativa e adverte aos taxistas que a greve contra o Uber não funcionará. “A tecnologia está mudando muitos aspectos das nossas vidas e não podemos ignorar os desafios fazendo greve ou tentando proibir inovações”, destacou no seu blog oficial, em referência à polêmica surgida com a chegada de aplicativos móveis que conectam motoristas e usuários para organizar traslados pagos em carros em várias capitais europeias. A união dos táxis convocou greves em cidades como Madri, Londres, Hamburgo e Milão em protesto contra o que descrevem como “concorrência desleal”.

Depois de criticar na terça-feira as greves dos taxistas em várias capitais europeias, a comissária optou por um tom mais contido e de diálogo com o setor – “é lógico sentir simpatia por aqueles que enfrentam grandes mudanças nas suas vidas” –, mas continuou defendendo a “força transformadora” das novas tecnologias. “Elimina alguns postos de trabalho e muda outros, mas melhora a maioria dos empregos e cria novos”, alega, ao mesmo tempo em que insta as autoridades nacionais a garantirem que todos os que trabalham nas áreas de economia digital “paguem seus impostos e respeitem as regras estabelecidas”.

Kroes acredita que é hora de todas as partes interessadas “se sentarem à mesa”, sem se deixar cair na criminalização de toda uma classe de cidadãos para proteger apenas algumas indústrias que podem ficar “fora” da revolução digital. “Chegou a hora de encarar os fatos: inovações como os aplicativos de táxi estão aqui para ficar. Temos que trabalhar com eles e não contra eles”, conclui.