Um juiz é assassinado a tiros na capital do México

Um de cada 10 magistrados mexicanos recebe "proteção especial" por ameaças, segundo indica um documento oficial

Eliud Manuel Román tinha 53 anos, um discretíssimo perfil de Facebook (com pouco mais de uma dezena de amigos), estudava direito na Universidade Nacional Autônoma do México e era torcedor do Club América. E, desde 2011, também era juiz no Tribunal Superior de Justiça da Cidade do México. Nesta sexta-feira à noite foi assassinado. Um homem em uma moto disparou contra ele às dez da noite, muito próximo de sua casa. O assassino fugiu e não há mais notícias sobre ele.

As testemunhas asseguram que o motorista se aproximou lentamente do carro do magistrado esperou com frieza que ele saísse do automóvel, e disparou contra o peito do juiz. Os familiares de Román escutaram o disparo e encontraram seu corpo caído na rua. Chamaram a polícia, que só constatou a sua morte.

“Sim, escutamos o disparo, estávamos estacionados aqui atrás e vimos como não demorou muito tempo para que as pessoas saíssem de casa, mas ninguém conseguiu ver a pessoa que fez os disparos e nem se ele estava de moto como estão dizendo, pode ter escapado rápido saindo para a estrada”, disse um homem não identificado ao jornal Reforma (apenas para assinantes).

Um motorista disparou contra o peito do magistrado quando ele chegava em sua casa

A Polícia da Cidade do México descartou que a motivação do crime seja roubo. O assassino fugiu sem que roubasse a carteira ou as chaves do carro do juiz, embora a região onde ocorreu o crime  (ao norte da cidade) é uma das mais perigosas da capital do país. O atual prefeito da Cidade do México, Miguel Ángel Mancera, reconheceu em 2010 que eram cometidos diariamente ao menos 500 delitos na cidade. Mancera liderava então a Procuradoria (Promotoria) da cidade.

As autoridades não informaram se o magistrado recebia algum tipo de ameaça, embora um documento do Conselho Federal da Judicatura (CFJ) indique que, em 2012, ao menos um em cada 10 juízes mexicanos recebia “medidas especiais de segurança” pelos casos que manipulavam. O que chama a atenção é que, dos 10 estados mexicanos considerados mais perigosos pelo CFJ, nenhum é o Distrito Federal.

Eliud Manuel Román era juiz de “delitos não graves”. No Distrito Federal, um “delito não grave” são os crimes punidos com uma pena menor do que cinco anos. Na discreta página do Facebook de Román não há nem uma só imagem. Só fica um “gosto” que demonstra a sua torcida para o América e uma fita preta na foto de perfil de uma de suas amigas.

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