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A Europa elege o seu presidente

Populares e socialistas chegam praticamente empatados às urnas no domingo

Ainda que o bipartidismo esteja em crise, ambos esperam somar 60% dos assentos

Duas lituanas preenchem suas cédulas para as eleições europeias em Riga.
Duas lituanas preenchem suas cédulas para as eleições europeias em Riga. EFE

O livreiro de um povoado contra o filho de um funcionário da siderurgia. Cerca de 380 milhões de europeus têm no domingo um encontro crucial com as eleições em 28 países após um mandato turbulento, marcado pela maior crise na história da União Europeia, “esse lugar onde não há pena de morte”, segundo a feliz definição do filósofo Jean-Pierre Faye. Os últimos capítulos da Grande Recessão ainda não foram escritos: o desenlace depende em parte da votação. Em meio a um estado de transição permanente, o próximo passo da União não será o mesmo se vencer o conservador luxemburguês Jean-Claude Juncker, filho daquele trabalhador siderúrgico, ou o social-democrata alemão Martin Schulz, ex-livreiro de uma pequena cidade perto de Aquisgrano, no oeste da Alemanha.

A história e a demoscopia convidam a buscar o ganhador em uma dessas duas grandes famílias: o bipartidarismo está em crise, mas socialistas e populares —que chegam praticamente empatados às eleições este domingo— conservarão mais de 60% dos assentos. Ainda que não sejam apenas Juncker ou Schulz: dezenas de partidos concorrem nessa espetáculo quinquenal que chamamos de eleições, com um excelente ramalhete de candidatos, entre os quais se destacam o liberal Guy Verhofstadt, o esquerdista Alexis Tsipras e a líder dos Verdes, Ska Keller.

Há na Europa um consenso amplo a favor da ideia da União, mas um grande desencanto com as instituições. Os cidadãos têm sido durante muito tempo espectadores do projeto: foram convidados tarde para a festa e frequentemente têm reclamado dessa desconsideração. Esse estado de ânimo em que o descontentamento prima emergirá neste domingo por duas vias: o auge dos populismos, inclusive xenófobos e antieuropeus, e a abstenção.

As pesquisas dizem que os populistas podem ganhar na França e somarão em torno de 25% dos assentos totais, ainda que isso não impedirá o governo da santa aliança de partidos pró-europeus. O fenômeno da abstenção também é preocupante. Desde 1979 não tem deixado de aumentar e resultou numa participação de apenas 43% em 2009. Por trás dessa cifra, a erosão da credibilidade do projeto pode ser perigosa.